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O James Webb NÃO provou que o Big Bang é falso. Entenda a polêmica!

Por| Editado por Patricia Gnipper | 15 de Setembro de 2022 às 17h35

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NASA
NASA

Artigos científicos sobre imagens recentes do telescópio James Webb deram certa abertura para fake news e teorias pseudocientíficas. Embora os cientistas não tenham culpa alguma, eles agora precisam rebater alegações de que as fotos do telescópio refutam o Big Bang. E isso simplesmente é falso!

Como o James Webb criou a polêmica

Recentemente, astrônomos ficaram confusos com algumas imagens de galáxias distantes feitas pelo Webb. Ao analisar a luz vermelha dos objetos, calcularam que elas estão muito mais distantes do que “deveriam”.

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As distâncias das estrelas e galáxias são medidas com a “ajudinha” de um fenômeno chamado redshift (desvio para o vermelho, em português), causado pela expansão do universo. Quanto mais distante o objeto estiver, mais as ondas da luz emitida por ele são esticadas.

O comprimento das ondas de luz determina sua cor; quanto mais compridas, mais próximas estão do lado vermelho no espectro visível. O violeta, por outro lado, é a cor visível com ondas mais curtas. Próximo ao violeta, está o azul.

Quando a luz de objetos muito distantes — como galáxias — viaja durante muitos bilhões de anos para chegar até nós, suas ondas são esticadas à medida que o universo expande. Se a galáxia tem estrelas azuis, por exemplo, a cor será esticada até o outro lado do espectro visível, tornando-se vermelha, antes de chegar às lentes dos nossos telescópios.

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Ao observar algumas galáxias fotografadas pelo James Webb, os cientistas encontraram os maiores redshifts já vistos em algumas delas. Por isso, elas estão disputando o título de galáxia mais distante já encontrada. O problema é que, segundo os cálculos, elas estariam mais longe do que os modelos atuais permitem.

De acordo com a cosmologia atual, que usa o Big Bang como referência para o início do universo, simplesmente não houve tempo para as galáxias terem evoluído tanto. Por exemplo, a galáxia CEERS-93316 foi anunciada com redshift 16,7, o que a coloca a apenas 250 milhões de anos após o Big Bang.

O Big Bang não existiu?

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Com essas medições, alguns cientistas propuseram outras explicações para a luz vermelha, como nuvens de poeira tornando as galáxias avermelhadas, implicando que elas, na verdade, estão bem mais próximas do que se pensava antes.

Isso não é exatamente um problema ruim — é um desafio para os astrônomos resolverem. Eles devem descobrir se há algum erro nas medições de redshift ou se as galáxias estão realmente a essas distâncias. Neste último caso, os modelos cosmológicos precisam ser atualizados para comportar galáxias bem evoluídas apenas 250 milhões de anos após o Big Bang.

Entretanto, pseudo-pesquisadores usaram os artigos científicos publicados a respeito do assunto para espalhar falsas informações. Eric Lerner, por exemplo, usou um artigo publicado em pré-print em 19 de julho, e aceito para publicação no The Astrophysical Journal Letters, para afirmar que o Big Bang não existiu.

O texto de Lerner começa argumentando que os cosmólogos estão entrando em pânico com as novas imagens do Webb. Isso porque o título do artigo que ele cita começa com um trocadilho com a banda “Panic! At the disco” (Panic! At the Disks: First Rest-frame Optical Observations of Galaxy Structure at z>3 with JWST in the SMACS 0723 Field).

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Lerner é um notório negacionista do Big Bang desde o final dos anos 1980 e defende uma ideia pseudocientífica, contra todas as evidências que fortalecem cada vez mais o Big Bang como um evento real. A mais concreta e indiscutível das evidências é a radiação cósmica de fundo, uma luz remanescente do Big Bang que os astrônomos podem observar hoje.

Após a publicação de um dos livros de Lerner, chamado The Big Never Happened (O Big Bang Nunca Aconteceu), físicos refutaram seus argumentos rapidamente. Em 2004, o físico e divulgador científico rebate um artigo de Lerner e o chamou de “maluco”.

Com a nova polêmica envolvendo o James Webb, os cientistas também foram rápidos em distanciar-se de Lerner e rebater seus argumentos, chamando-os de insustentáveis. Na verdade, Lerner tenta refutar o Big Bang com apontamentos que se referem à teoria da formação de galáxias, e não ao modelo do Big Bang.

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Isso levou muitos físicos a chamar essa nova investida de “não qualificada” e “oportunista”. O problema, no entanto, é convencer o público conquistado por Lerner (e outros divulgadores de pseudociência) que ele está errado. Este é um trabalho árduo que os cientistas precisam fazer e, para isso, terão que conquistar a confiança dessas pessoas.

O que acontece é que, se as galáxias do James Webb estiverem realmente tão distantes, os astrônomos precisarão ajustar as restrições dos modelos atuais. Nesse caso, o que foi descoberto até o momento não é quadro completo — e está tudo bem. Seriam necessários mais dados para refinar as teorias e é assim que a ciência é construída.

Contudo, a abordagem de Lerner é completamente oposta ao método científico (daí o título de pseudociência). Ele busca por todos os meios convencer as pessoas que o Big Bang não existiu por convicções próprias e, para isso, usa de falácias e artifícios para tentar desqualificar os cosmólogos (que estudam a evolução do universo.

Combatendo a pseudociência

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Nesse caso, a desinformação pode não ser tão prejudicial quanto as fake news conspiratórias sobre as vacinas, por exemplo. Mesmo assim, quando Lerner argumenta que os cosmólogos são financiados pelo governo para defender o Big Bang, cria-se uma desconfiança do público em relação à ciência séria.

Essa desconfiança é grave porque, quando assuntos mais sérios entram em pauta e cientistas são combatidos por oportunistas, danos maiores são causados à sociedade. Novamente, o maior exemplo recente são as mentiras propagadas sobre as vacinas da Covid-19, o que resultou em muitas mortes evitáveis.

Por isso é sempre válido reforças: qualquer alegação extraordinária exige evidências extraordinárias. Com o próprio Big Bang foi assim; ele só foi realmente aceito como teoria sólida após evidências concretas. Por isso, sempre procure as fontes das informações e recorra a outros cientistas sérios para saber quem mais concorda com as alegações.

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Fonte: Nature, Science The Wire, Space.com