Nuvem de gás formadora de estrelas e planetas é bloqueada por halo da Via Láctea
Por Danielle Cassita |

Com o telescópio Green Bank, uma equipe de astrônomos da Texas Christian University realizou um novo estudo sobre como, afinal, as galáxias podem continuar formando estrelas e planetas. Para descobrir mais sobre o processo, eles estudaram nuvens que se movem em alta velocidade, sendo puxadas em direção à Via Láctea devido à atração gravitacional da nossa galáxia.
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Para formar uma estrela ou um planeta, é necessária uma grande quantidade de material gasoso. Só que, em algum momento, as galáxias podem acabar ficando sem esse material usado nas “construções cósmicas”, a menos que consigam captar mais gás nos arredores, uma tarefa que não é tão fácil assim em função de obstáculos capazes de dispersar as nuvens antes de chegarem às galáxias. Assim, Dr. Kat Barger, professor de física e astronomia da universidade, liderou uma equipe de cientistas para observar a nuvem de gás Complex A.
Confira esta animação da distribuição de hidrogênio na Complex A:
Trata-se de uma nuvem de alta velocidade (HVC) que está viajando através do halo galáctico — ou seja, a formação de gases quentes em torno da nossa galáxia — em direção à Via Láctea; se chegasse a ela, essa nuvem seria capaz de formar mais de 2 milhões de estrelas com o material que possui. Contudo, o problema é que instabilidades do gás vão se formando ao longo da nuvem conforme partes dela se desfazem no halo menos denso que a envolve. Gradualmente, esse material em "pingos" é removido ao interagir com o halo de gás, o que faz com que as nuvens acabem perdendo o material de formação planetária.
Então, a equipe está decifrando como galáxias grandes como a nossa vão continuar formando estrelas e planetas nos próximos bilhões de anos. Para isso, eles estão trabalhando com simulações dos processos de instabilidade do gás que afetam as nuvens. É aqui que o telescópio Green Bank entra em ação, com altíssima sensibilidade para a observação da nuvem — até hoje, só foi feito um mapeamento de alta resolução de formações do tipo.
Para o pesquisador Dr. David Nidever, o telescópio vai permitir mapear a nuvem em grandes detalhes, incluindo as ondulações produzidas pelo caminho que segue até a Via Láctea: “é a primeira vez que mapeamos uma nuvem de gás que não nasceu na Via Láctea e que vai alimentar nossa galáxia como novos gases”, disse. Depois, os dados das observações serão importantes para aprimorar simulações: “as simulações estão melhorando, com maior resolução e mais física, mas ainda são restritas”, explica Dr. Barger. “Nós ainda não sabemos exatamente como essas nuvens se rompem, mas essas observações vão ajudar”.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.
Fonte: Green Bank Observatory