O Sol está mais perto do buraco negro no centro da Via Láctea do que se pensava

O Sol está mais perto do buraco negro no centro da Via Láctea do que se pensava

Por Daniele Cavalcante | 01 de Dezembro de 2020 às 10h15
Reprodução

Parece que estamos um pouco mais próximos do buraco negro supermassivo central da Via Láctea do que os cientistas imaginavam — pelo menos é o que diz o novo estudo de uma equipe de cientistas no Japão. De acordo com a pesquisa, o Sol está mais próximo do centro galáctico do que os cálculos realizados anteriormente. Além disso, nossa estrela é mais rápida do que se pensava.

Os novos cálculos foram realizados com uma técnica chamada radioastrometria, que usa ondas de rádio para medir as distâncias aos objetos. E para observar a posição e movimento do Sol e das demais estrelas da Via Láctea, eles usaram o paralaxe — um método que analisa a diferença na posição aparente de um objeto em relação a um plano de fundo. O vídeo abaixo nos dá uma boa noção de como funciona o paralaxe.

Bem, a medição mais recente da distância entre o Sol e o centro de nossa galáxia resultou em algo próximo de 26.600 anos-luz. Ou seja, nosso “bairro cósmico” (o Sistema Solar), fica realmente longe do centro da “cidade cósmica” (a Via Láctea), mas não chega a ser na periferia. Contudo, de acordo com a nova medição, a distância real seria de 25.800 anos-luz de distância.

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Isso nos coloca perto demais do buraco negro supermassivo (chamado Sagitário A*) no coração galáctico? De jeito nenhum! A diferença é de apenas cerca de 3% mais próximo, mas ainda distante o suficiente para sequer sermos afetados por ele. São 260 quatrilhões de quilômetros, não há nenhum perigo. Entretanto, o novo estudo traz uma nova perspectiva desde que a medição anterior foi estabelecida como padrão pela International Astronomical Union, em 1985. Outras medições foram feitas desde então, mas essa é a primeira vez que a diferença foi realmente significativa.

Em 1985, também foi calculada a velocidade com que o Sol se move em seu movimento orbital ao redor do centro galáctico: 232 km/s. O novo estudo dos pesquisadores japoneses também reavaliou essa medição e concluiu que nossa estrela viaja, na verdade, a 239 km/s. Uma diferença pequena para um objeto tão rápido, mas que faz alguma diferença. Isso significa que o Sol leva 219 milhões de anos para dar uma volta completa na galáxia.

O reajuste dos cálculos de velocidade fazem sentido quando você tem uma nova distância. É que se o Sol está mais próximo do centro do que havia sido calculado antes, o círculo orbital é menor, a influência da gravidade exercida pelo buraco negro supermassivo é ligeiramente maior e, assim, a velocidade aumenta relativamente.

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/R. Hurt/Phil Plait)

Para obter esse resultado, a equipe do Japão precisou de equipamentos de altíssima resolução. Neste caso, eles usaram o Very Long Baseline Interferometry, um instrumento japonês apelidado de “VERA”. São quatro antenas parabólicas de 20 metros espalhadas em todo o Japão, usando uma técnica sofisticada para combinar a potência de cada um, somando-as como se fossem um único telescópio. Assim, eles puderam observar os masers — a sigla de Microwave Amplification by Stimulated Emission of Radiation, uma amplificação de micro-ondas estimulada de radiação.

Esses masers são produzidos em nuvens de gás onde as estrelas nascem e podem ser detectados em toda a galáxia, por isso são tão muito úteis para a radioastrometria. Com suas novas observações e alguns dados antigos, os astrônomos somaram 224 objetos espaciais para fazer um mapa de localizações e velocidades ao redor do núcleo galáctico.

São números interessantes para conhecer melhor a história do Sistema Solar e a própria evolução da Via Láctea. Por exemplo, já parou para pensar que na época em que os dinossauros nominaram a Terra, o Sistema Solar estava em uma posição bem diferente da atual? A animação abaixo nos dá uma boa dimensão do quão pouco o Sol se moveu durante a era dos mamíferos, após a extinção dos nossos queridos dinos!

Olhar para os eventos cósmicos em comparação com a experiência da vida na Terra nos dá uma nova perspectiva. Pode ser que a humanidade nem esteja mais por aqui quando o Sol completar outra volta ao redor do centro galáctico e, mesmo assim, ainda haveria muitas e muitas gerações para aprender cada vez mais sobre o universo e deixar a nossa marca nesse cantinho do cosmos.

Fonte: Bad Astronomy

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