Novos projetos podem ajudar a explicar o mistério dos "rugidos espaciais"

Por Danielle Cassita | 07 de Agosto de 2020 às 11h11

Em 2006, uma equipe de astrônomos identificou ruídos cósmicos emitidos em ondas de rádio com o uso do instrumento ARCADE (sigla para Radiômetro Absoluto para Cosmologia, Astrofísica e Emissões Difusas, em tradução livre). Essas ondas ressoavam seis vezes mais alto do que se esperava - tanto que ficaram conhecidas como “rugidos espaciais”. Ainda não se sabe a origem destes ruídos, mas novos projetos de mapeamento do céu podem trazer informações importantes sobre ela.

Durante as análises do céu noturno feitas acima da atmosfera da Terra em busca de sinais de rádio, o ARCADE identificou um sinal que se destacou. Desde então, os cientistas vêm buscando a fonte da radiação enquanto tentam entender as propriedades deste sinal, que recebeu o nome de “rádio síncrotron de fundo”: essa emissão parte de várias fontes individuais e se mistura, de modo que acaba se tornando um brilho difuso. 

Balão do instrumento ARCADE inflado para lançamento (Imagem: NASA)

Entretanto, o “rugido do universo” é causado pela radiação síncrotron, uma radiação de alto fluxo e brilho cuja origem dificilmente é identificada. Al Kogut, líder do time ARCADE, explica que este sinal é difuso e vem de várias direções, o que indica que ele não é causado por um só objeto. “O sinal também tem uma frequência de espectro, ou uma ‘cor’, que é semelhante à radioemissão da nossa galáxia”, diz Kogut. Além disso, ele ressalta que o rugido espacial é parecido com este sinal, e pode vir de uma fonte que a ciência desconhece.

Origens ainda incertas

Afinal, essa fonte estaria dentro ou fora da Via Láctea? Os cientistas ainda não sabem, e as evidências também não são conclusivas: eles têm bons motivos para acharem que o sinal pode vir do interior da Via Láctea, mas há outros igualmente bons sobre o porquê de não virem de fora dela. Como o "rugido" não parece acompanhar a distribuição da rádio emissão da Via Láctea, é possível que não venha dela. "Eu não diria que os cientistas descartaram completamente a possibilidade do síncrotron de rádio vir da nossa galáxia", contrapõe Jack Singal, professor assistente de física na Universidade de Richmond. Mesmo assim, ele acredita que essa é uma explicação menos provável para o fenômeno, enquanto outras fontes alternativas seguem incertas. 

No fim, pode ser que todas essas especulações tenham ocorrido devido a uma sequência de erros no ARCADE e em outras medidas, que identificaram erroneamente os níveis do síncrotron de rádio de fundo. "Isso é improvável, considerando que esses são instrumentos bem diferentes medindo em diferentes bandas de frequência", ressalta ele. 

Mesmo assim, alguns novos projetos podem dar uma direção para a solução deste mistério: um deles irá utilizar um radiotelescópio de 91 metros para mapear as ondas de rádio no céu com ainda mais precisão, explica Kogut. Trata-se do projeto do Observatório de Green Bank, que irá utilizar o maior radiotelescópio orientável do mundo. “Além disso, acho que vamos precisar de algumas hipóteses brilhantes completamente novas sobre as origens [do fenômeno], que tenha pensado ainda”, finaliza Singal.

Fonte: Space.com

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