Novos asteroides estão chegando perto da Terra, mas sem risco de colisão

Por Daniele Cavalcante | 24 de Agosto de 2020 às 19h15
Reimund Bertrams/Pixabay

Mais uma vez, um asteroide que se aproxima do nosso planeta é assunto em redes sociais e notícias sobre as chances de sermos atingidos por um impacto espacial. Mas aproximações como essa acontecem o tempo todo e, como nas vezes anteriores, não precisamos nos preocupar. O asteroide da vez, conhecido como 2018 VP1, não representa uma ameaça à vida na Terra.

Esta rocha espacial já havia sido mencionada alguns dias atrás pelos mais preocupados com um possível impacto, mas, neste último fim de semana, as notícias foram mais recorrentes, já que o objeto está cada vez mais perto. Sua maior aproximação máxima, na verdade, acontece no dia 2 de novembro, então provavelmente ele será alvo de mais especulação ao longo deste ano. Mas podemos ficar tranquilos, pois, com apenas 2 metros de diâmetro, caso um impacto aconteça, ele no máximo vai queimar completamente em nossa atmosfera, iluminando o céu por alguns instantes.

Como o próprio nome sugere, o asteroide foi descoberto em 2018, mais precisamente no dia 3 de novembro, por uma câmera acoplada ao Telescópio Samuel Oschin no Observatório Palomar, no sul da Califórnia. Na época, ele estava a aproximadamente 450.000 km da Terra - um pouco mais longe do que a distância média entre a Terra e a Lua -, e seu brilho ainda era muito fraco para ser observado e localizado com facilidade. Assim, os astrônomos puderam observá-lo por apenas 13 dias. 

No entanto, esse tempo foi o suficiente para determinar algumas características e defini-lo como um asteroide Apolo, ou seja, um dos muitos que passam a maior parte do tempo na órbita ao redor do Sol e próximos da Terra. No caso do 2018 VP1, ele leva quase dois anos para essa aproximação acontecer. Ou seja, em 2022 ele nos visitará outra vez.

Órbita do asteroide 2018 VP1 (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

É difícil prever o quão perto ele vai passar, porque os astrônomos precisam reunir uma quantidade de observações o suficiente para determinar o caminho que ele vai traçar nos próximos dias. O que temos é uma estimativa bastante aproximada, ao menos por enquanto. Entretanto, a rocha foi observada 21 vezes ao longo de 13 dias, e isso permite calcular muito de sua órbita, de modo que a incerteza é de cerca de 12 horas em qualquer direção.

Também já é possível ter certeza de que o asteroide estará em uma determinada área no dia 2 de novembro - algum lugar em uma região de mais ou menos 4 milhões de km de diâmetro. As maiores apostas do momento são de que o asteroide não chega mais perto do que 3,7 milhões de km. As chances de o asteroide atingir a Terra são 0,41%, ou cerca de 1 em 240. Mesmo que isso aconteça, não deve fazer muito estardalhaço antes de queimar na atmosfera terrestre.

Há ainda outro asteroide, conhecido como 2011 ES4, que deve passar ainda mais perto e mais cedo, no dia 1º de setembro. Ele deve ficar a apenas 120.000 km de distância de nós - uma distância estimada, já que ele também não tem uma órbita muito conhecida. No entanto, neste caso, não há chance alguma de sermos atingidos, já que a Terra não estará dentro da região de incerteza da órbita dessa rocha espacial.

Órbita do asteroide 2011 ES4 (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Seria ruim se fossemos atingidos pelo 2011 ES4, pois ele é mais ou menos do tamanho do asteroide de Chelyabinsk, que explodiu sobre a Rússia em 2013, quebrando janelas e ferindo mais de mil pessoas devido aos estilhaços de vidro. Mas, novamente, não corremos nenhum risco dessa vez. Em tempos de pandemia e tantos problemas ao redor do mundo, é importante frisar que não precisamos nos preocupar com mais ameaças, ainda mais dessa natureza, que parece sempre tão catastrófica.

Fonte: SiFy, Phys.org

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