Novo satélite é capaz de ver o que acontece dentro de construções

Novo satélite é capaz de ver o que acontece dentro de construções

Por Wagner Wakka | 21 de Dezembro de 2020 às 19h40
Dvulgação/Capela Space

A Capella Space é uma companhia de satélites que lançou o seu Capella 2 neste ano, trazendo um diferencial curioso e potencialmente preocupante, ao mesmo tempo: ele é capaz de ver através de determinadas construções. Contudo, é preciso ter calma, pois o satélite não consegue ver dentro da sua casa, mas apenas de construções leves, como hangares de avião com coberturas mais finas, por exemplo.

O satélite registra imagens em alta definição, sendo possível ver aviões estacionados em galpões com bastante nitidez. Segundo a empresa, tais fotos podem ser tiradas tanto de dia, quanto de noite, e até em condições de chuva ou névoa. Esse, inclusive, é o principal objetivo.

A proposta, no entanto, não é conseguir ver por dentro de prédios, mas sim aprimorar a visualização da Terra por meio de satélites mesmo em condições adversas. Segundo o CEO da empresa e ex-engenheiro de sistemas da NASA, Payam Banazadeh, 75% da Terra está sempre ou de noite, ou com nuvens e chuva, impedindo a verificação de muitas imagens tiradas do espaço. Ou seja, o Capella 2 busca contornar esta questão.

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Qual o segredo aqui, então? A maioria dos satélites normalmente usa sensores ópticos para captar as imagens. O Capella 2, por sua vez, tem o chamado “synthetic aperture radar” (SAR), que usa ondas eletromagnéticas. De modo análogo aos morcegos, este satélite “enxerga” emitindo frequências de sinais de rádio de 9,65 GHz, que refletem no solo da Terra. A análise destas ondas que voltam é que permite criar as imagens com mais precisão.

Imagem permite ver aviões estacionados dentro de hangar (Foto: Divulgação/Capella Space)

O CEO conta, em entrevista ao Futurism, que a tecnologia pode ajudar pesquisadores a entenderem melhor ambientes remotos da Terra. “Há uma série de vazios em como atualmente observamos a Terra do espaço — a maioria dos sensores que usamos tem sensores ópticos. Se está nublado, você só verá nuvens, não o que está acontecendo por baixo delas”, explica.

Usando a alta frequência, o satélite consegue atravessar nuvens, névoa, fumaça e não depende de luz, assim, permitindo a captura também de noite. O ponto interessante é que essa tecnologia já é usada em radares há muito tempo, mas a empresa é a primeira a usar a técnica para satélites em órbita. Com esta proposta, a Capella Space também diz que as fotos saem com maior definição do que as usadas por satélites ópticos comuns.

O modelo de negócio da Capella Space é vender imagens a empresas e governo em alta resolução. A companhia promete ainda aprimorar o serviço com outros seis satélites a serem lançados nos próximos anos. Embora o Capella 2 não consiga trazer imagens de dentro da casa de uma pessoa, o modelo de negócio assusta por oferecer imagens de qualquer lugar para companhias privadas e governos.

Segundo o CEO, há uma série de leis, controles e requisitos para que isso seja feito. Entretanto, um dos exemplos que ele oferece é de que forças militares podem pedir fotos para uma movimentação ou monitoramento de atividades em determinados lugares. O monitoramento através de construções, contudo, fica restrito a contextos de hangares de aviões e aeroportos.

Outra aplicação seria para verificação do avanço das queimadas em florestas tropicais, como a amazônica. Com o SAR, seria possível identificar movimentações e contabilizar as áreas destruídas mesmo com uma nuvem de fumaça.

Fonte: Futurism

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