Novo e poderoso telescópio ajudará a NASA a encontrar planetas "órfãos"; entenda

Novo e poderoso telescópio ajudará a NASA a encontrar planetas "órfãos"; entenda

Por Danielle Cassita | 24 de Agosto de 2020 às 12h08
Reprodução/NASA

Um novo estudo sugere que é possível que a quantidade de planetas interestelares ("rogue planets", em inglês, também chamados de "planetas órfãos"), seja maior até do que a própria quantidade de estrelas em nossa galáxia. Esses planetas são aqueles que "flutuam" livremente pelo espaço, sem orbitarem estrela alguma, e são bastante difíceis de serem encontrados. Mas astrônomos contam com os dados que serão obtidos pela missão do Grace Roman Space Telescope, da NASA. O artigo deste estudo foi publicado na revista Astronomical Journal.

A missão deverá ser lançada nos próximos cinco anos, e irá buscar estes planetas "solitários" com a técnica das microlentes gravitacionais destes planetas: as lentes gravitacionais são um efeito que ocorre quando a presença da massa distorce a observação do espaço-tempo. Esse efeito também ocorre com os planetas interestelares, de modo que eles acabam atuando como uma lupa, que amplia a luz emitida pela estrela ao fundo. Matthew Penny, co-autor do estudo, explica que este efeito dura no máximo alguns dias e desaparece: “isso dificulta a observação mesmo com telescópios múltiplos”.

É aí que o telescópio espacial Roman entra: como esses planetas não brilham como estrelas e são bastante frios, a missão irá encontrá-los indiretamente utilizando os efeitos gravitacionais que influenciam a luz de estrelas mais distantes. “Isso nos dá uma janela para estes mundos que não teríamos de outra forma”, comenta Samson Johnson, principal autor do estudo. “Imagine nosso pequeno planeta rochoso flutuando livremente no espaço - é isso que essa missão vai nos ajudar a encontrar”.

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Veja a animação que representa o efeito das microlentes gravitacionais abaixo:

A missão do telescópio Roman é ambiciosa, pois o dispositivo irá tentar também construir o primeiro censo destes planetas, que será essencial para os cientistas entenderem melhor o processo de formação destes planetas. No estudo, os pesquisadores estimam que o Roman irá identificar planetas órfãos que tenham massa semelhante à de Marte ou sejam ainda maiores.

Um processo com muitas dúvidas

Os astrônomos descobriram os primeiros exoplanetas - ou seja, aqueles que não orbitam nosso Sol - na década de 1990. Entretanto, os planetas órfãos são objetos isolados cuja origem segue desconhecida, mas existe a possibilidade de que, um dia, eles estiveram ligados a uma estrela. Assim, “o Roman irá nos ajudar a saber mais sobre como nos encaixamos no esquema cósmico das coisas com o estudo destes planetas”, explica Johnson.

Ainda não se sabe bem como esses planetas se formam, mas é certo que não é um processo nada simples: os planetas solitários podem se formar nos discos gasosos à volta de jovens estrelas, similares aos planetas que ainda estão ligados às suas estrelas anfitriãs. Depois que se formaram, eles podem ter sido ejetados em interações com outros planetas no sistema ou por fenômenos causados por outras estrelas. Outra possibilidade está em colisões violentas, que podem ter força o suficiente para tirar um planeta da atração gravitacional de sua estrela; nesse caso, se o planeta não estiver junto de uma lua, ele seguirá sozinho pela galáxia.

Para Johnson, não é provável que estes planetas tenham vida. “Eles provavelmente são extremamente frios, porque não possuem uma estrela”, diz. Entretanto, os estudos poderão ajudar os cientistas a entender melhor como se formam: se realmente for o caso de encontrarem planetas solitários com baixa massa, será possível afirmar que, assim como as estrelas formam os planetas, elas também estão liberando outros materiais em nossa galáxia. “Isso nos ajuda a ter uma ideia do caminho da formação dos planetas em geral”, finaliza.

Fonte: The Ohio State University, Eurekalert

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