Nova classe de nebulosa parece ter sido descoberta

Nova classe de nebulosa parece ter sido descoberta

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 03 de Janeiro de 2022 às 14h30
Maicon Germiniani

Uma nova classe de nebulosas galácticas foi identificada. Ao menos é o que indica uma nova pesquisa, fruto de uma colaboração uma equipe internacional de astrônomos liderada pelo astrofísico Stefan Kimeswenger, da Universität Innsbruck, junto de cientistas amadores. Além de representar uma etapa importante na compreensão da evolução estelar, a descoberta mostra também a importância da colaboração entre a pesquisa no ambiente acadêmico e a ciência cidadã.

Esta foi a primeira vez que cientistas conseguiram evidências de um envelope totalmente desenvolvido de um sistema de envelope comum (ou “CE”, na sigla em inglês). Trata-se da fase de um único envelope em sistemas estelares binários, formados por duas estrelas. Kimeswenger explica que, conforme se aproximam do fim de suas vidas, as estrelas “comuns”, de baixa a média massa, incham em gigantes vermelhas — destino que aguarda o Sol no futuro.

Representação do Sol durante a fase de gigante vermelha, em que suas camadas mais externas se expandirão pelo Sistema Solar (Imagem: Reproduãção/Wikimedia commons/fsgregs)

No caso dos sistemas binários, esta etapa afeta a evolução do fim da vida delas. “Nos sistemas com estrelas bem próximas, a parte externa da estrela inchando se funde como um envelope comum, entre ambas as estrelas”, disse ele. “Contudo, dentro desse gás, os núcleos delas praticamente não são afetados, e seguem na evolução como estrelas únicas e independentes”.

Os envelopes são extremamente importantes para o entendimento da evolução das estrelas na fase final de suas vidas, e ajudam os astrônomos a compreender como elas espalham elementos pesados no espaço. Apesar de o envelope comum já ter sido observado em sistemas estelares, ainda faltava ver o CE completamente desenvolvido e ejetado ao espaço interestelar.

Por trás da descoberta da nova classe de nebulosa

Como essas estruturas são grandes demais para o campo de visão dos telescópios modernos, bastante difusos e duram pouco, não é fácil descobri-las. É aqui que entra o trabalho dos astrônomos amadores: eles se debruçaram sobre várias imagens históricas em busca de objetos desconhecidos, e descobriram um fragmento de uma nebulosa em placas fotográficas da década de 1980.

Com isso, eles entraram em contato com os especialistas, que uniram e combinaram observações dos últimos 20 anos. Após descartar a possibilidade de se tratar de uma nebulosa planetária (uma das últimas etapas da evolução de estrelas de massa baixa e média), eles encontraram uma grande nebulosa. “O diâmetro da nuvem principal é 15,6 anos-luz, quase 1 milhão de vezes maior que a distância entre a Terra e o Sol”, descreveu Kimeswenger.

Imagem da nebulosa descoberta, formada por 120 exposições individuais feitas ao longo de algunas meses, no Brasil (Imagem: Reprodução/Maicon Germiniani)

Os pesquisadores combinaram as informações obtidas e criaram um modelo do objeto. O resultado indica que ele é um sistema binário, formado por uma anã branca e uma estrela um pouco menos massiva que o Sol. Ambas orbitam uma à outra bem de perto e, como estão muito próximas, a estrela é aquecida pelas temperaturas altíssimas da anã branca. Ambas são envolvidas por um envelope gigante, formado pelo material externo da anã branca.

Esse material foi expelido ao espaço há cerca de 500 mil anos e é mais pesado que a própria anã branca. Contudo, ainda há mistérios relacionados ao objeto. “Este sistema pode estar relacionado à observação de uma nova, feita por astrônomos chineses e coreanos em 1086”, sugeriu o autor. “De qualquer forma, as posições das observações históricas correspondem muito bem àquelas do objeto descrito aqui”.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Fonte: Astronomy & Astrophysics; Via: Universität Innsbruck

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