Hubble mostra como essa nebulosa planetária mudou forma e brilho em 2 décadas

Hubble mostra como essa nebulosa planetária mudou forma e brilho em 2 décadas

Por Danielle Cassita | 03 de Dezembro de 2020 às 19h20
NASA, ESA, B. Balick, M. Guerrero, G. Ramos-Larios

Recentemente, astrônomos flagraram algo estranho acontecendo com a nebulosa Hen 3-1357, apelidada de “Nebulosa da Raia” e que foi apresentada nos anos 1990 como a nebulosa planetária mais jovem conhecida. Dados arquivados do telescópio espacial Hubble, construído pela NASA e com contribuições da Agência Espacial Europeia (ESA), revelaram que o gás que envolve a estrela SAO 244567, que está à beira da morte, vem apresentando brilho mais fraco do que o esperado nas últimas décadas.

Ao comparar imagens capturadas pelo telescópio em 2016 com outras de 1996, eles notaram que a nebulosa apresentou uma grande redução em seu brilho, além de mudar também sua forma: os “tentáculos” azuis brilhantes e filamentos de gás em direção ao centro dela não podem mais ser vistos, e seus limites ondulados, que inspiraram seu nome de animal aquático, virtualmente se foram. Agora, ela não tem mais o contraste que a destacava em relação ao fundo escuro do universo.

Para completar, os pesquisadores descobriram mudanças sem precedentes na luz gerada pelo gás — composto por nitrogênio, hidrogênio e oxigênio — emitido pela estrela morrendo no centro da nebulosa, tanto que a emissão de oxigênio teve redução em seu brilho em um fator de quase 1.000. O universo está em constante mudança, mas a maior parte dos processos é lenta demais para observarmos durante uma vida tão curta quanto a humana: “o que estamos vendo é a evolução de uma nebulosa em tempo real. Vemos variações em alguns anos, nunca vimos isso antes com tanta clareza como agora”, disse Martin Guerrero, do Instituto de Astrofísica de Andalucía.

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A comparação das imagens feitas pelo Hubble deixa evidente como o brilho da nebulosa e sua forma mudaram durante dez anos (Imagem: Reprodução/NASA, ESA, B. Balick, M. Guerrero, G. Ramos-Larios/Space Telescope)

Assim, a taxa de mudança que essa nebulosa vem apresentando é surpreendente, principalmente por representar também uma oportunidade de os pesquisadores observarem em tempo real a evolução de um sistema. “Na maioria dos estudos, a nebulosa geralmente fica maior", explicou Bruce Balick, da Universidade de Washington, que liderou o novo estudo. “Aqui, ela está mudando fundamentalmente de forma e ficando mais fraca, e está fazendo isso a uma escala sem precedentes, e seu anel elíptico interno parece estar encolhendo conforme escurece”.

Guerrero ressalta a confiança que a equipe tem no que observou, em função da estabilidade óptica do Hubble, que já chega aos 30 anos de atividades: “isso é algo que só pode ser confirmado com a precisão visual do Hubble”, disse. Além disso, os pesquisadores notam que, enquanto especulam o que causou essa mudança, é importante também dar atenção à estrela no centro da nebulosa, que está chegando ao fim de sua vida e influencia a estrutura e brilho da formação de gás em seus arredores.

Essa não é a primeira vez que os cientistas flagram algo curioso ocorrendo por lá: um estudo feito em 2016 por Nicole Reindl e um time de pesquisadores internacionais também utilizou dados do Hubble, e revelou que a estrela teve um aumento de temperatura de quase dez vezes mais do que aquela da superfície do Sol, e ela especula que esta mudança ocorreu em função de uma breve fusão de hélio que ocorreu fora do núcleo da estrela. Depois, tudo ficou mais “calmo”, ela começou a esfriar e voltou à etapa inicial de evolução.

Agora, a equipe estudando a redução do brilho na nebulosa só pode, por enquanto, especular o que está acontecendo por lá e o que seu futuro guarda. “É difícil saber qual vai ser o destino final dela; talvez a estrela central se aqueça novamente e ionize a nebulosa, ou talvez isso nunca aconteça e a Hen3-1357 se torne uma nebulosa planetária fracassada”, finaliza Guerrero.

O artigo com os resultados do estudo será publicado na revista Astrophysical Journal, e pode ser acessado no repositório online arXiv.

Fonte: SpaceTelescope, IAA, HubbleSite

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