Nenhum sinal de tecnologia alienígena foi encontrado em 10 milhões de estrelas

Por Danielle Cassita | 09 de Setembro de 2020 às 10h40
Universo Observado

Recentemente, astrônomos utilizaram o radiotelescópio Murchison Widefield Array (MWA), na Austrália, em uma busca que foi considerada a mais profunda e abrangente de baixas frequências para tecnologias alienígenas, e escanearam uma área do céu que contém pelo menos 10 milhões de estrelas próxima à constelação Vela. Mesmo assim, não foi desta vez que sinais de civilizações alienígenas foram encontrados.

A pesquisa foi conduzida por Dr. Chenoa Tremblay, astrônoma do Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), órgão destinado à pesquisa científica na Austrália, junto do professor Steven Tingay, do Curtin University node of the International Centre for Radio Astronomy Research (ICRAR). Tremblay explica que o telescópio estava buscando tecnoassinaturas em emissões de rádio poderosas em frequências parecidas às radiofrequências FM, que poderiam ter origens alienígenas.

Para a professora Tremblay, o “MWA é um telescópio único, com um campo de visão incrivelmente amplo que nos permite observar milhões de estrelas simultaneamente”. Assim, eles utilizaram este poder de observação para analisar a área do céu próxima da constelação Vela ao longo de 17 horas, de forma mais ampla e profunda do que jamais foi feito antes. Pelo menos ali, as civilizações parecem ser bem evasivas e discretas — isto é, se elas realmente existirem —, de modo que eles não encontraram nenhum sinal delas.

Antenas do Murchison Widefield Array (Imagem: Dragonfly Media)

O professor Tingay concorda que essa foi possivelmente a busca mais ampla já feita e ele não se surpreende com o resultado. “Embora este seja um estudo muito grande, a quantidade de espaço que observamos é o equivalente a tentar encontrar alguma coisa nos oceanos da Terra, mas procurar em um volume de água equivalente a uma piscina no quintal de casa”, comenta. Entretanto, a procura não se encerrou: Tingay ressalta que, de fato, ainda existe um longo caminho a ser percorrido nesta busca. Assim, telescópios como o MWA vão continuar avançando além dos limites, de modo que os cientistas precisam continuar tentando.

Futuramente, o MWA terá um aliado: o telescópio SKA de baixa frequência que será construído também na Austrália Ocidental e permitirá que os pesquisadores encontrem sinais de rádio de sistemas planetários próximos, explica Tingay. “Com o SKA, vamos conseguir estudar bilhões de sistemas estelares, procurando tecnoassinaturas em um oceano astronômico de outros mundos”. O MWA está localizado em uma instalação remota e silenciosa. Já o SKA será construuído no mesmo local, e será 50 vezes mais sensível.

O estudo foi publicado no periódico Publications of the Astronomical Society of Australia.

Fonte: ICRAR

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