Astrônomo sugere transformar a atmosfera da Terra em lente de telescópio gigante

Por Daniele Cavalcante | 06 de Agosto de 2019 às 23h50

Um telescópio espacial superpoderoso que use o próprio planeta Terra como uma lente natural. Essa é a proposta do astrônomo David Kipping, da Universidade de Columbia. Ele sugere transformar a nossa atmosfera em uma lente de telescópio gigante e incrivelmente poderoso, que ele chama de “Terrascópio”.

Isso seria possível porque a atmosfera da Terra refrata a luz das estrelas, e podemos aproveitar essa refração com a ajuda de um telescópio espacial de 1 metro, que ficaria posicionado além da Lua. Assim, conseguiríamos ampliar a luz de objetos distantes em 22.500 vezes. Kipping acredita que o método seria o equivalente a usar um telescópio de 150 metros.

A atmosfera é muito variável para que o chamado Terrascópio possa produzir imagens bonitas como as do telescópio espacial Hubble, mas o resultado poderia ser bom o suficiente para descobrir objetos muito mais fracos do que os telescópios atuais são capazes de detectar - tais como pequenos exoplanetas ou asteroides que ameaçam a Terra.

Um telescópio de apenas 1 metro, posicionado a 1,5 milhão de quilômetros - quatro vezes a distância da Lua - observando a lente natural da Terra por uma noite inteira, seria capaz de detectar objetos muito tênues ou em mudanças mínimas no brilho. Isso permitiria encontrar asteroides pequenos e escuros ou medir os reflexos de brilho que os pequenos exoplanetas causam quando passam na frente de suas estrelas.

Embora Kipping saiba que ainda precisa provar sua ideia, ele garante que "nada disso é reinventar a roda, ela só precisa ser empurrada um pouco mais". Ele publicou um artigo e um vídeo de 30 minutos explicando como o Terrascópio poderia funcionar. Matt Kenworthy, da Universidade de Leiden, na Holanda, conferiu o material e disse que ficou "impressionado com o trabalho e o pensamento", mas ele quer mais evidências de que funcionará. “Eu gostaria de sentar e fazer um modelo mais realista", diz ele.

Fonte: ScienceMag

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