NASA detecta pequenas luzes brilhantes que ajudam a aquecer a atmosfera do Sol

Por Daniele Cavalcante | 23 de Setembro de 2020 às 11h33
Goddard Space Flight Center
Tudo sobre

NASA

Saiba tudo sobre NASA

Ver mais

Por que a atmosfera do Sol é muito mais quente do que a sua superfície? Existem algumas hipóteses que podem explicar esse fenômeno, mas os cientistas apostam em uma sonda da NASA chamada Interface Region Imaging Spectrograph (IRIS) para coletar dados que forneçam uma resposta conclusiva. Na segunda-feira (21), uma equipe divulgou as primeiras imagens claras de nanojatos solares que pode ajudar nessa pesquisa.

Esses nanojatos são luzes finas e brilhantes que viajam perpendiculares à corona solar (o envoltório luminoso do Sol que vemos durante eclipses solares). As imagens foram publicadas na revista Nature Astronomy e revelam o processo que forma algo chamado nanoflares, que são bons candidatos a responsáveis pelo aquecimento coronal.

Ainda não se sabe muito sobre a existência dos nanoflares, pois é muito difícil detectar um deles. Trata-se de explosões no Sol muito pequenas e rápidas, extremamente difíceis de se distinguir do restante da superfície solar. Mas a missão IRIS foi projetada para capturar imagens em resolução alta o suficiente para ampliar o que acontece durante um evento chamado chuva coronal, que é quando fluxos de plasma resfriado cai da coroa para a superfície solar.

Esse processo de chuva coronal é semelhante a uma cachoeira dourada pairando no ar e, então, caindo no oceano de plasma da superfície da nossa estrela. Os pesquisadores conseguiram filmar a chuva coronal em abril de 2014 e, ampliando bem a imagem, notaram alguns jatos mais brilhantes que o restante do material aparecendo rapidamente. Esses flashes são os tais nanojatos, plasma muito aquecido que viaja tão rápido que aparecem como rastros muitíssimo iluminados.

Pois bem, os nanojatos são considerados a principal evidência da existência dos nanoflares. Os cientistas cogitam que cada um desses jatos nasce através de um processo no qual campos magnéticos torcidos se realinham, causando um certo tumulto explosivo. Esse processo, chamado reconexão magnética, pode desencadear outro semelhante, dando início a um efeito dominó que resulta em uma série de nanojatos na coroa solar.

Todos esses eventos que combinam movimento de plasma e campos magnéticos pode ser capaz de criar a energia que tanto aquece a coroa do Sol, ou ao menos ser um dos grandes colaboradores desse aquecimento. Entretanto, mais estudos serão necessários para entender melhor esses processos e saber com que frequência de nanojatos e nanoflares acontecem ao redor da estrela.

Fonte: NASA

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.