Missão Mars Express descobre um antigo trio de crateras em Marte

Por Danielle Cassita | 29 de Outubro de 2020 às 15h45
ESA/DLR/FU Berlin

Marte, um dos nossos vizinhos, tem sua superfície coberta por “cicatrizes” causadas por impactos intrigantes. Recentemente, dados coletados pela missão Mars Express em agosto revelaram imagens de uma formação curiosa: a sonda registrou um trio de crateras em que as três estão sobrepostas, em Noachis Terra, uma área antiga no hemisfério sul do Planeta Vermelho.

Diversas crateras foram abertas na região durante o Período Noachiano, que ocorreu há 4 bilhões de anos. Naquela época, grandes quantidades de asteroides e cometas atingiam a superfície do planeta; algumas das colisões que resultaram desses impactos continuam intactas, e são excelentes objetos de estudo para cientistas que querem saber mais sobre o planeta e seu passado. Entretanto, as montanhas do sul de Marte também guardam sinais de processos e eventos bastante caóticos, e o local em questão possui crateras antigas e já gastas pelo tempo.

Nas novas imagens da missão Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), é possível ver uma cratera tripla a leste de Le Verrier Crater, uma formação já conhecida que tem quase 140 quilômetros de extensão. Para comparar, considere que as três depressões vistas na imagem abaixo são um pouco menores, sendo que a maior delas tem 45 km de extensão, enquanto a menor chega aos 28 quilômetros. 

As crateras em perspectiva (Imagem: Reprodução/ESA/DLR/FU Berlin)

Ainda não há definições sobre como o trio se formou, mas já podemos considerar alguns cenários. Pode ter ocorrido uma simples coincidência: em diferentes momentos, três objetos podem ter atingido a superfície de Marte ali e criaram uma sobreposição de crateras de forma completamente aleatória. Já outra explicação — que pode ser a mais provável — é que o objeto que causou o impacto se rompeu em três antes de chegar ao solo e acabou formando o trio.

Se este foi o caso, ficamos com algumas implicações: pode ser que a atmosfera do período era muito mais densa e de difícil penetração do que é hoje, o que indica que, no início, Marte foi bem mais quente e úmido. Observações já feitas por outras missões apoiam este cenário e têm retornado com evidências de que a água que já correu pelo Planeta Vermelho, revelando antigas rede de vales de rios e grandes bacias que devem ter se formado no período Noachiano.

As três crateras têm bordas achatadas, interior raso e foram preenchidas com sedimentos nos 4 bilhões de anos desde sua formação. Também existem evidências de gelo ali, e a menor tem marcas causadas pelo gelo e detritos. Curiosamente, o ambiente à volta do trio é bastante suave para um terreno tão antigo; algumas crateras nos arredores ser mais definidas, o que indica elas são relativamente jovens e ainda não começaram a sofrer erosão. Em geral, parece que as crateras mais antigas da área se "derreteram" para a superfície, um fenômeno que ocorre também em função do gelo. Como o gelo sob a superfície de Marte se derrete e flui ao longo de vários milhões de anos, o solo fica mais macio e preenche depressões mais rapidamente, contribuindo para a aparência suave do local. Então, isso pode indicar que houve grande quantidade de água presente em Marte naquele período. 

Lançada em 2003, a missão Mars Express vem explorando Marte para entender a história do planeta e mapear as características de sua superfície detalhadamente. Junto de outras missões que já foram lançadas e as que ainda estão por vir, será possível entender mais sobre Marte e da história e natureza da Terra.

Fonte: ESA

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