Missão DragRacer testará corda em satélite para limpar detritos espaciais

Por Danielle Cassita | 11 de Agosto de 2020 às 13h16
Millennium Space Systems artist concept

Nos próximos meses, a empresa Millennium Space Systems irá realizar uma missão experimental para testar a limpeza de detritos na órbita da Terra com o método chamado "terminator tape". Para isso, será utilizada a nave DragRacer, que contará com dois CubeSats idênticos. Eles serão lançados à órbita da Terra juntos, e a ideia é verificar o tempo que eles vão levar para saírem do espaço.

Um dos satélites sairá de órbita por conta própria, enquanto o segundo contará com uma espécie de corda a bordo. Essa corda será a Alchemy, uma terminator tape de 70 m. Trata-se de uma solução de fita condutora lançada do satélite para o objeto descer a uma órbita mais baixa por meio de interações com a gravidade e o campo magnético da Terra. Um cronômetro a bordo do satélite vai disparar a corda alguns dias antes da missão, e a Millennium irá observar e desenvolver o procedimento de saída da órbita.

A empresa estima que o pequeno satélite com a corda deverá levar apenas um mês e meio para entrar outra vez na atmosfera da Terra e se queimar. Enquanto isso, o outro pode levar até nove anos para isso. “A comunidade espacial compreende que os sistemas de corda podem acelerar a reentrada, mas essa é a nossa primeira oportunidade de realmente quantificar essa performance”, comenta Robert Hout, fundador da Tether Unlimited.

Arte que representa os satélites do experimento, um com a corda e outro sem (Imagem: Millennium Space Systems)

Stan Dubyn, CEO da Millennium, acredita que o experimento vai mostrar que a saída da órbita pode ser feita a baixo custos e sem a adição de massa, volume e sistemas de propulsão a um satélite. Dependendo dos resultados, a empresa poderá utilizar este sistema como uma ferramenta para a saída da órbita terrestre baixa (LEO), ou aumentar a corda com um pequeno sistema de propulsão. “Esse experimento de mitigação de detritos orbitais exemplifica nosso compromisso a desenvolver conceitos inovadores com soluções de baixo custo”, diz Dubyn.

Os dois satélites da DragRacer já foram construídos e testados. Agora, para os próximos passos, essa carga útil será enviada para a Nova Zelândia, onde será integrada a bordo do propulsor Rocket Lab Electron."Nós esperamos liderar a iniciativa de integração para essa carga útil histórica, que pode ter papel essencial em limpar os detritos da órbita terrestre baixa pelos próximos anos e gerações", comenta Rob Spicer, CEO da empresa TriSept, parceira no experimento.

Fonte: Space.com, SpaceNews, DigitalTrends

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