Marte pode ter apresentado atividade vulcânica nos últimos 50 mil anos

Marte pode ter apresentado atividade vulcânica nos últimos 50 mil anos

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 07 de Maio de 2021 às 14h00
NASA

O quebra-cabeças da atividade geológica em Marte acaba de ganhar mais uma peça: pesquisadores analisaram imagens da superfície do planeta, feitas por orbitadores, e descobriram que há um depósito de lava na região de Elysium Planitia, ao norte, que parece ser jovem — é possível que tenha se formado nos últimos 50 mil anos, um passado bem recente se pensarmos em uma escala de tempo geológica.

A descoberta é surpreendente porque a maior parte do vulcanismo do planeta ocorreu entre 3 e 4 bilhões de anos atrás, mas ainda não havia evidências que indicassem que Marte pudesse ainda ser vulcanicamente ativo. É possível que isso seja um sinal de que, talvez, Marte foi potencialmente habitável — podem haver partes do planeta parecidas com regiões com atividade vulcânica em áreas glaciais do nosso planeta, como acontece na Islândia, onde há bactérias extremófilas vivendo.

David Horvath, astrônomo e autor que liderou o estudo, descreve a formação observada como um depósito escuro com alta inércia térmica que é distribuído simetricamente em torno de um segmento do sistema de Cerberus Fossae, em Elysium Planitia. Ele aponta que este pode ser o depósito vulcânico mais jovem já documentado em Marte: “se fôssemos comprimir a história geológica de Marte em um só dia, isso teria ocorrido no último segundo”, diz.

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O depósito vulcânico observado próximo de uma fenda do sistema Cerberus Fossae (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/MSSS/The Murray Lab)

A maior parte da atividade vulcânica na região de Elysium Planitia (e no resto do planeta) consiste em fluxos de lava correndo pela superfície, mas isso não parece se aplicar ao depósito encontrado: “essa formação se sobrepõe aos fluxos de lava nos arredores, e parece ser um depósito relativamente novo de cinzas e rochas, o que representa um estilo e período de erupção diferentes daqueles previamente identificados”, explica Horvarth. É possível que a erupção que formou o que eles observaram tenha liberado cinzas a 10 km de altitude na atmosfera marciana, e provavelmente foi o último “sopro” de material de erupção liberado.

Essa erupção recente fica a cerca de 1.600 km de onde a sonda InSight, da NASA, está. O instrumento vem estudando a atividade tectônica do Planeta Vermelho desde 2018 e já identificou dois “martemotos” na área em torno de Cerberus Fossae, a mesma região onde foram detectados outros tremores no início da missão. É possível que os tremores tenham ocorrido devido ao fluxo de magma no interior do planeta, de modo que essas evidências podem indicar que o interior de Marte é ativo.

O autor ressalta que seria difícil sustentar magma na superfície marciana, em um momento tão recente do histórico do planeta, sem fluxos de lava associados, de modo que uma origem magmática pode ser responsável pela erupção. Além disso, o depósito vulcânico abre a possibilidade de haver condições para a vida ocorrer próxima da superfície de Marte, mesmo recentemente: “a interação entre o magma ascendente e o substrato congelado da região pode ter fornecido condições favoráveis para a vida microbiana, o que aumenta a possibilidade de haver vida nesta região”.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Icarus.

Fonte: Planetary Science Institute, Science Alert

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