Marés provocadas pela Lua afetam o plasma ao redor da Terra
Por Daniele Cavalcante • Editado por Patricia Gnipper | •

A esfera de plasma ao redor da Terra é afetada pelas marés provocadas pela Lua, segundo um novo estudo publicado na Nature Physics. A descoberta pode ter implicações para missões espaciais e estudos de outros planetas.
Bem acima da atmosfera terrestre, há um oceano de plasma em forma de “rosquinha”, formado pelas partículas carregadas dos ventos solares capturadas em nossa ionosfera e pelo próprio campo magnético da Terra.
Conhecida como plasmasfera, essa bolha de partículas eletricamente carregadas tem um limite externo (plasmapausa) localizado entre 20.000 e 38.000 km do centro da Terra no equador magnético. Essa localização varia com as estações, atividade solar e outros fatores.
Agora, uma equipe de cientistas descobriu que a plasmasfera oscila de acordo com a órbita da Lua, assim como acontece com os oceanos. As marés lunares ocorrem graças à gravidade de nosso satélite natural, que afeta a matéria terrestre nos estados sólido, líquido e gasoso, mas ninguém havia verificado se o mesmo ocorria também com o plasma.
Com dados mais de de 50.000 travessias da plasmapausa, observadas por diversos instrumentos científicos, a equipe encontrou marés com oscilações apresentando uma diferença de 3% na "suavidade" da plasmapausa em sua posição “normal”.
O fato mais estranho da descoberta é que, ao contrário das marés oceânicas, que são mais altas e mais baixas perto da Lua Nova e Lua Cheia, as marés do plasma são deslocadas da posição da Lua no céu em 90°. Na plasmasfera, a maré alta ocorre no primeiro quarto da Lua, enquanto a maré baixa ocorre no último quarto.
Não há, até o momento, explicações para esse deslocamento das marés do plasma em relação às marés do oceano. Os cientistas pensam que isso pode significar que essas marés são provocadas não apenas pela gravidade, mas também por forças eletromagnéticas.
As descobertas podem ajudar os cientistas a compreender melhor a distribuição de partículas energéticas dos cinturões de radiação, “que são um perigo bem conhecido para a infraestrutura espacial e as atividades humanas no espaço”, disseram os autores.
Fonte: Nature Physics; Eos