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Magnetar lento pode ser novo tipo de objeto estelar

Por| Editado por Patricia Gnipper | 21 de Julho de 2023 às 14h55

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Uma estrela de nêutrons foi encontrada comportando-se de maneira diferente de tudo o que os astrônomos esperariam observar nesse tipo de objeto. Trata-se de um magnetar que produz flashes em velocidades muito mais lentas que os demais, desafiando o que se sabe a respeito dessa classe de estrelas.

Magnetares são uma categoria de estrelas de nêutrons. Elas, por sua vez, são remanescentes de estrelas massivas mortas. Todos os magnetares deveriam liberar energia na forma de jatos em intervalos de alguns segundos ou em poucos minutos, no máximo. Mas o objeto GPM J1839-10 tem intervalos de 22 minutos!

A energia liberada nessas rajadas é impulsionada pelos campos magnéticos do magnetar, estimados em 1 bilhão de Teslas — para comparação, saiba que um ímã de geladeira tem cerca de 0,001 Tesla. Os jatos são vistos pelos instrumentos principalmente em ondas de rádio, em intervalo muito curtos.

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O objeto recém-descoberto, no entanto, emite ondas de rádio a cada 22 minutos, o que faz dele o magnetar de período mais longo já detectado. Isso ocorre porque ele gira bem mais lentamente que os demais, mas os magnetares de rotação lenta não deveriam emitir ondas de rádio. Além disso, suas rajadas duram cerca de cinco minutos.

Mais curioso ainda é que o GPM J1839-10 já havia aparecido nos dados de outros telescópios antes, em 1988, mas ninguém o notou “porque não esperavam encontrar algo parecido”, disse a autora principal, Dra. Natasha Hurley-Walker.

Essa é a segunda que uma estrela de nêutrons apresenta esse mesmo comportamento, mas a primeira foi do tipo pulsar. Revelado em um artigo de janeiro de 2022, o objeto emitia uma rajada três vezes por hora — 60 segundos a cada vinte minutos.

Ainda existe a possibilidade de o GPM J1839-10 não ser um magnetar, mas algo diferente e que os astrônomos ainda não conseguiram entender. Se for de fato um magnetar, a descoberta vai ter implicações na física das estrelas de nêutrons e vai ser necessário rever os modelos de evolução dos magnetares.

Um dos passos para tirar conclusões mais sólidas é observar o objeto mais vezes e procurar por outros semelhantes. O GPM J1839-10 está localizado a 15.000 anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação de Scutum, o Escudo.

O estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Nature, ICRAR