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Lua foi atingida por um meteorito durante o último eclipse total

Por Patrícia Gnipper | 22 de Janeiro de 2019 às 18h44
Jose M. Madiedo/MIDAS

Se você não conseguiu observar ao vivo o eclipse total da Lua, que aconteceu na madrugada da última segunda (21), você pode ver fotos incríveis do fenômeno mesmo assim. Só que o que nem todo mundo reparou foi que a Lua foi atingida por um meteorito durante o eclipse — e o astrônomo espanhol José Maria Madiedo, da Universidade de Huelva, conseguiu registrar o momento do impacto em um vídeo publicado no YouTube.

Madiedo tentou, por mais de 10 anos, registrar um impacto de meteorito na Lua, sem sucesso até a noite do eclipse. E, enquanto gravava o fenômeno com equipamentos profissionais, notou um pequeno clarão no quadrante superior esquerdo da Lua, o que significa que nosso satélite natural foi atingido naquele instante, bem na fase de totalidade do eclipse, quando a Lua estava bastante avermelhada no céu.

Veja o vídeo:

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Essa foi a primeira vez em que um impacto lunar foi capturado em vídeo pela equipe do MIDAS durante um eclipse total. Flashes de impacto na Lua começaram a ser monitorados sistematicamente em 1997, o que resultou na criação dos observatórios MIDAS (Moon Impacts Detection and Analysis System, ou "Sistema de Análise e Detecção de Impactos da Lua", na tradução literal), com as pesquisas sendo conduzidas tanto pela Universidade de Huelva, na Espanha, quanto pelo Instituto de Astrofísica de Andaluzia.

"Nós monitoramos a região noturna da Lua para identificar flashes de impacto. Desta forma, estes flashes são bem contrastados contra o fundo mais escuro. Normalmente monitoramos a Lua cerca de cinco dias depois da Lua Nova e cerca de cinco dias antes da Lua Nova, e nós também monitoramos durante os eclipses lunares, já que durante os eclipses o solo lunar fica escuro", explica Madiedo.

Durante as observações, os telescópios do MIDAS usam câmeras de vídeo de alta sensibilidade que gravam continuamente, com os vídeos, então, sendo analisados por software, que, por sua vez, identifica automaticamente flashes de impacto lunar, calculando a posição deles na Lua. Segundo Madiedo, o sistema é capaz de detectar um impacto com precisão de cerca de 0,001 segundo.

O astrônomo conta, ainda, que as chances de haver um flash de impacto da magnitude que ocorreu durante o eclipse são de uma vez a cada 7 a 10 dias. E, apesar de a equipe ainda estar estudando todos os dados, o palpite preliminar é de que o meteorito que atingiu a Lua tenha uma massa de cerca de 10 quilos.

Organização brasileira também fez o registro histórico

Além do pessoal do MIDAS, quem também conseguiu registrar em imagens o impacto do meteorito na Lua no auge do eclipse foi a BRAMON (Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros), organização sem fins lucraticos e colaborativa, mantida por voluntários com a missão de operar uma rede para o monitoramento de meteoros, fornecendo dados científicos à comunidade.

Em João Pessoa, na Paraíba, os membros da Associação Paraibana de Astronomia promoveram um evento público de observação do eclipse lunar total. Marcelo Zurita, membro da Associação e também da BRAMON, deixou um telescópio com duas câmeras preparado para transmitir o fenômeno em tempo real em um telão e também para monitorar eventuais impactos lunares. E, então, o brasileiro também conseguiu registrar o impacto lunar durante o eclipse, que você pode conferir no vídeo abaixo:

De acordo com a BRAMON, este foi o segundo impacto lunar registrado em vídeo no Brasil. O primeiro aconteceu em dezembro de 2017 durante a chuva de meteoros Geminídeas.

Fonte: New Scientist, Gizmodo, BRAMON

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