Lockheed Martin e GM fecham parceria para construir veículo lunar autônomo

Lockheed Martin e GM fecham parceria para construir veículo lunar autônomo

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 26 de Maio de 2021 às 20h20
Reprodução/Lockheed Martin

Se tudo correr conforme o cronograma ambicioso planejado pela NASA para o Programa Artemis, a primeira mulher e o próximo homem poderão pisar na superfície lunar já em 2024. Então, para explorar a Lua durante as missões do programa, os astronautas vão precisar se deslocar com mais eficiência do que nunca. Assim, a Lockheed Martin e a montadora General Motors revelaram, nesta quarta-feira (26), uma parceria para desenvolver veículos autônomos que farão parte da próxima geração de rovers lunares.

A exploração lunar de longo prazo e estudos científicos estão entre os objetivos do programa, e exigem grande mobilidade. Assim, os veículos estarão preparados para percorrer distâncias maiores que aquelas dos veículos da era Apollo, além de serem capazes de funcionar com ou sem tripulantes a bordo. Além de ser projetado com recursos de direção autônoma, o conceito apresentado pelas empresas mostra que o veículo será completamente elétrico.

Como o projeto é novo, o veículo ainda está nas etapas preliminares de desenvolvimento e não há informações exatas sobre tamanho, peso e capacidades. Mesmo assim, Jeffy Ryder, vice-presidente de crescimento e estratégia da GM já trouxe alguns “spoilers”: segundo ele, podemos esperar que o veículo seja “feito de material muito leve, forte e resiliente”, que ainda não foi decidido. Kirk Shireman, vice-presidente de exploração lunar na empresa, afirma que vão trabalhar com algo que “seja leve e forte e que tenha a maior vida útil possível”.

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Para Rick Ambrose, vice-presidente executivo da unidade espacial da Lockheed, estes novos rovers “vão aumentar drasticamente o alcance dos astronautas, conforme realizam investigações científicas de alta prioridade na Lua”. Esta grande colaboração entre as empresas acontece após a NASA solicitar ao setor privado para apresentar ideias para os chamados Veículos de Terreno Lunar (LTV) e para os Lunar Surface Science Mobility System, uma espécie de laboratório móvel.

O que esperar dos novos veículos lunares

As empresas explicam que o veículo criado precisa ser capaz de se posicionar próximo ao local de pouso dos astronautas antes mesmo de chegarem, e a tripulação teria que conseguir utilizá-lo sem a necessidade de um motorista mesmo que estivessem no Human Landing System, o módulo lunar que os levará à superfície da Lua, ou na estação Gateway, que ficará na órbita da Lua. Desta forma, será possível realizar mais estudos científicos em menos tempo e avançar na exploração das áreas ainda desconhecidas do nosso satélite natural.

O astronauta Eugene Cernan a bordo de veículo lunar durante a missão Apollo 17 (Imagem: Reprodução/NASA/Kevin M. Gill)

Para conseguir se deslocar no relevo da superfície lunar, o veículo teria que ser resistente e capaz de ficar ativo mesmo durante as geladas noites lunares, cujas temperaturas chegam aos -170 °C. "Existem mudanças de temperatura extremas, e a radiação no espaço é um desafio em termos de design de sistema; além disso, você está operando o veículo no vácuo e criando um sistema para resistir ao choque do lançamento", explica Madhu Raghavan, gerente do Grupo Global de Pesquisa e Desenvolvimento.

O projeto do veículo terá estes e outros desafios para enfrentar, mas a Lockheed e GM têm experiência na área: ambas estiveram entre os grandes nomes da indústria que criaram os primeiros sistemas de pouso lunar e veículos utilizados pelos astronautas da NASA na superfície da Lua entre o final dos anos 1960 e meados dos anos 1970. A GM foi responsável pelo chassi e rodas dos rovers lunares das missões Apollo 15 a 17, enquanto a Lockheed foi responsável por construir espaçonaves que viajaram para a Lua, Marte, Júpiter e até a destinos mais distantes, como cometas e asteroides.

Fonte: Lockheed MartinThe Verge

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