Lentilha d'água pode alimentar astronautas e protegê-los da radiação espacial

Por Danielle Cassita | 06 de Agosto de 2020 às 09h33
Dr. Jared J. Stewart, CC BY-ND

Junto de sua equipe, a professora Barbara Adams, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, encontrou na Lemna minor (popularmente chamada de lentilha d’água) uma possível solução para a nutrição e também para a proteção de astronautas em missões espaciais de longa duração. O estudo foi apoiado pela NASA e Translational Research Institute for Space Health.

A lentilha d’água é uma planta que cresce rapidamente, e produz dois antioxidantes importantes no combate de inflamações: a zeaxantina e luteína - o primeiro é o mais potente, mas é produzido apenas sob luzes muito brilhantes. Para os experimentos, Barbara propôs otimizar a produção desses antioxidantes. Assim, a equipe descobriu que, sob luzes de baixa intensidade, a lentilha d’água acumula mais zeaxantina e mantém sua rápida taxa de crescimento - características ideais para o cultivo no espaço.

Na imagem superior esquerda, a lentilha foi cultivada sob luzes de baixa intensidade. Na imagem superior direita, a planta foi cultivada sob luzes de alta intensidade (Imagem: Dr. Jared J. Stewart, CC BY-ND)

Encontrar uma forma de ter estes antioxidantes à disposição em missões é importante para os astronautas evitarem inflamações crônicas e outras doenças causadas pela radiação, e o cultivo da lentilha d’água seria uma excelente solução para isso. Agora, a equipe está testando a viabilidade do cultivo da planta sob luzes de intensidade ainda menor, mas com um suplemento de pulsos de luzes de alta intensidade. Eles observaram que, em outras plantas, isso produz acúmulo de zeaxantina e aumenta a velocidade de crescimento. Ao pensarmos nas condições de uma missão espacial, isso pode indicar um menor custo de energia para a nave.

Os pesquisadores ainda precisam de mais estudos para descobrir como produzir grandes quantidades da lentilha d’água, e pretendem verificar também como fazer pequenas mudanças no cultivo das plantas para que elas produzam mais micronutrientes. E vale lembrar: os resultados deste estudo têm potencial para ir além dos benefícios espaciais e mudar a forma como produzimos alimentos na Terra, pois podem possibilitar mais produção com menor gasto de recursos.

Fonte: The Conversation

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