Inédito! Este exoplaneta gigante gasoso parece orbitar três estrelas

Inédito! Este exoplaneta gigante gasoso parece orbitar três estrelas

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 28 de Setembro de 2021 às 16h00
ESO/Exeter/Kraus et al./L. Calçada

A aproximadamente 1.300 anos-luz da Terra, na constelação de Orion, o Caçador, há um sistema estelar curioso: além de haver três estrelas por lá, a formação tem um grande disco de gás e poeira dividido em duas partes, resultando em algo parecido com o que os anéis de Saturno seriam se houvesse um grande espaço entre eles. Agora, pesquisadores propõem que esse espaço pode ter sido o resultado da ação de um planeta gasoso e massivo e, se este realmente for o caso, o planeta seria o primeiro descoberto a orbitar três estrelas de uma só vez. 

No ano passado, dados do Very Large Telescope do European Southern Observatory (ESO's VLT) e do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) mostraram que o trio de estrelas do sistema desalinhou o anel da parte interna, mas ainda faltava entender o porquê de essa estrutura ter um espaço de 100 unidades astronômicas em seu interior. Uma possibilidade seria a ação das estrelas do sistema, mas o novo modelo vai além e sugere que este seja o resultado de um planeta gasoso e massivo como Júpiter “cavando” o disco.

À esquerda, a estrutura do anel do disco, com o mais interno separado do restante; já na direita, está a imagem com a sombra do anel mais interno (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada, Exeter/Kraus et al.)

Embora este exoplaneta não tenha sido observado diretamente, os astrônomos talvez estejam vendo-o abrir caminho pela órbita durante sua “infância”, com apenas alguns milhões de anos de existência. Esta possibilidade mostra também que ainda temos muito a aprender sobre as formas inesperadas de acordo com as quais os planetas podem se formar. Jeremy Smallwood, autor principal do artigo, afirma que esta pode ser a primeira evidência de um planeta orbitando três estrelas e abrindo caminho, com tudo ocorrendo em tempo real. 

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Alison Young, da Universidade de Leicester, foi uma das autoras de um estudo publicado no ano passado, em que os autores argumentam que o espaço observado no disco do sistema não foi causado por um planeta, mas sim pelas próprias estrelas de GW Ori. Para ela, novas observações com os telescópios ALMA e Very Large Telescope podem mostrar evidências diretas de um planeta por lá e, assim, talvez resolvam a discussão.

Caso realmente exista um planeta por lá, esse sistema reforçará a ideia de que a formação de planetas é um processo comum. Vários planetas já foram encontrados orbitando duas estrelas, mas ver um deles circulando três delas, como acontece em GW Ori, é mais difícil. Mesmo assim, a possível existência deste exoplaneta sugere que os planetas podem aparecer em todos os tipos de lugares, mesmo naqueles mais incomuns. “O que aprendemos é que quando planetas podem se formar, eles realmente se formam”, comentou Sean Raymond, astrônomo da Universidade de Bordeaux que não integrou o estudo. 

 O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: NY Times

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