Incêndio florestal na Califórnia representa perigo a este radiotelescópio

Incêndio florestal na Califórnia representa perigo a este radiotelescópio

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 15 de Setembro de 2021 às 16h40
Alex Pollak

O grande incêndio florestal Dixie Fire assola a Califórnia desde julho e, no último dia 13 de setembro, ele esteve a cerca de 13 km de distância do radiotelescópio Allen Telescope Array (ATA), do SETI Institute, localizado ao norte do estado. Além de ameaçar as 42 antenas de uma das ferramentas mais importantes para a busca de sinais de vida extraterrestre inteligente, parte do trabalho desenvolvido no ATA precisou ser suspenso.

O Dixie Fire já é o terceiro maior incêndio florestal da Califórnia e o maior dos EUA neste ano. O incêndio, que teve início em 13 de junho, já consumiu mais de 400 km quadrados do norte do estado. No momento, o fogo parece ter se estabilizado e Alex Pollak, gerente de operações de ciência e engenharia do Observatório de Rádio Hat Creek, no qual o ATA se encontra, disse que o observatório está otimista pela contenção do incêndio, mas ainda vigilante.

A vista do incêndio a partir do conjunto de antenas (Imagem: Reprodução/Alex Pollak)

Os incêndios florestais são comuns e mais intensos durante o outono norte-americano, mas as temporadas de fogo têm se tornado ainda mais brutais por conta das mudanças climáticas, que, entre tantos efeitos, tem reduzido a umidade do ar e elevado a temperatura em algumas regiões do planeta — condições ideias para o fogo ganhar tamanha proporção.

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A equipe do observatório já estava preparada para uma possível aproximação do Dixie Fire, mas eles não imaginavam que o incêndio avançaria tão rapidamente. "Foi definitivamente assustador ver o quão rápido o fogo pode realmente se mover nas condições climáticas certas", acrescentou Pollak. O ATA trabalhou junto ao departamento de proteção contra incêndios florestais da Califórnia e com o corpo de bombeiros e o  Serviço Florestal dos EUA para planejar uma estratégia caso o fogo avançasse sobre o observatório.

As equipes passaram as duas últimas semanas de agosto limpando arbustos e removendo galhos baixos ao redor das antenas. Nesse tempo, o observatório não foi operado por conta da sensibilidade do equipamento de comunicação de alta potência. Como as antenas não podem ser deslocadas, elas foram reposicionadas para apontarem na direção oposta ao incêndio, evitando que os sensores fossem danificados pelo calor.

(Imagem: Reprodução/Alex Pollak)

O observatório também planejou uma maneira de reduzir a atividade no local sem desativar totalmente os receptores resfriados criogenicamente. "Se tivermos que desligar tudo, é um processo muito longo para fazer todas as antenas funcionarem novamente", ressaltou Alex Pollak. O Dixie Fire já havia se aproximado do ATA no último dia 7, mas no dia 9 ele começou a avançar ainda mais.

A equipe que trabalha no ATA foi reduzida pela metade, permanecendo sob aviso de evacuação no observatório e nas regiões próximas. Pollak segue monitorando mapas de calor que apontem qualquer possibilidade de o fogo aumentar e espera que os ventos permaneçam calmos. Mesmo que o incêndio seja contido, a instalação só voltará a funcionar normalmente em cerca de um mês.

Fonte: Space.com

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