Geminídeas | Última chuva de meteoros de 2020 atinge pico neste domingo

Geminídeas | Última chuva de meteoros de 2020 atinge pico neste domingo

Por Daniele Cavalcante | 13 de Dezembro de 2020 às 17h00
Asim Patel

Além de ser a última chuva de meteoros do ano, Gemínidas (ou Geminídeas) também é uma das mais interessantes por ter alta quantidade de “estrelas cadentes” durante o pico. Os meteoros dessa chuva são um pouco mais lentos, o que torna o espetáculo mais bonito, e podem chegar a uma taxa de 120 por hora.

Essa chuva já começou a cair na Terra, mas com uma taxa de meteoros por hora bem inferior. Então, caso você tenha visto alguma “estrela cadente” nos últimos dias, pode ser que se trate de um meteoro Geminídeas. Contudo, o pico ocorrerá entre a noite de 13 de dezembro e a manhã do dia 14, começando a partir das 23h (horário de Brasília).

Dissemos que a Geminídeas é um pouco mais lenta que outras chuvas, mas isso não significa que sejam realmente lentas. A velocidade desses meteoros é de 35 km/s — o que corresponde a 126 mil km/h, o suficiente para dar mais de 3 voltas no planeta Terra, na linha do Equador. Mas ela fica bem atrás de outras chuvas, como a Leónidas, cujos meteoros atingem a velocidade de 71 km/s.

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Como surgiu a Geminídeas?

O asteroide 3200 Faetonte, flagrado pelo Observatório Arecibo (Imagem: Reprodução/Arecibo Observatory/NASA/NSF)

Se você costuma acompanhar as chuvas de meteoros, talvez já tenha notado que a maioria tem como origem os detritos que cometas deixam para trás. A Geminídeas é um pouco diferente: ela é fruto de pequenas rochas e destroços largados pelo asteroide 3200 Faetonte. Assim, quando nosso planeta cruza a órbita desse objeto, acaba atravessando o caminho desses detritos, fazendo com que vários deles atravessem nossa atmosfera.

Bem, pode ser que essa chuva não seja tão diferente assim das demais, se considerarmos que, talvez, o 3200 Faetonte tenha sido um cometa no passado. É que esse asteroide tem algumas características estranhas, o que levou os astrônomos a cogitarem que se trata de um cometa que perdeu seu material volátil, ou seja, o componente que forma as camadas de gelo dos cometas. Assim, teria sobrado apenas a parte “suja” do Faetonte — pedras e poeira.

Seja como for, o asteroide costuma passar relativamente perto da Terra. Ele aproximou-se em 2007 e 2017, e deve repetir o movimento em 2050 e 2060, por exemplo. Contudo, não oferece nenhum risco de colisão.

Chuvas de meteoros como esta nos mostra como os objetos do universo são precisos em suas órbitas. É que as chuvas de meteoros costumam acontecer sempre nas mesmas datas, todos os anos, provando que a Terra sempre passa por aquele ponto da órbita onde os detritos estão flutuando. Até mesmo os picos — horário em que há o máximo de meteoros por hora durante uma chuva — costumam ocorrer no mesmo dia do ano, quase nos mesmos horários. É como se o Sistema Solar funcionasse com a precisão de um relógio mecânico.

Como e quando observar a Geminídeas?

Geminídeas fotografada em 2013 (Imagem: Reprodução/Asim Patel)

A boa notícia para esta chuva de meteoros é que estamos em fase de Lua Nova, então o brilho lunar não vai nos atrapalhar. Mas é bom se preparar um pouco antes, ainda mais neste caso, pois o pico ocorrerá entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira. Se você não puder passar a madrugada acordado, terá que aproveitar os primeiros momentos em que o radiante (ponto de onde os meteoros parecem surgir) da chuva aparecer no céu noturno.

Como o nome da chuva sugere, o radiante é a constelação de Gêmeos. Para localizá-la, você pode usar aplicativos como o Carta Celeste, que informa o nome das estrelas para a qual você aponta a câmera do seu celular. Também é possível localizar procurando pela constelação de Órion — encontre as Três Marias, que estarão um pouco mais no alto, e olhe para mais perto do Horizonte. Ali, deverá haver outras estrelas muito brilhantes, como a Betelgeuse e, mais abaixo, a Pollux. O radiante da Geminídeas estará bem à esquerda desta estrela.

Mas atenção aos horários, pois o radiante estará acima da linha do horizonte a partir das 22h do domingo, dia 13 de dezembro. Neste horário, é possível que não vejamos muitos meteoros. O ideal é esperar um pouco mais, até que as estrelas Pollux e Castor estejam um pouco mais no alto. Quanto mais elas subirem, mais fácil será encontrar meteoros. Entretanto, as “estrelas cadentes” não aparecerão necessariamente neste ponto, então olhe para outras partes do céu, também.

O radial da Geminídeas está bem ao lado das estrelas Pollux e Castor, da constelação de Gêmeos. Bem acima estão a Betelgeuse e as Três Marias. Todas elas estão alinhadas ao Nordeste. Este cenário corresponde ao dia 13 de dezembro, às 23h30, em São Paulo. Não haverá muita diferença em outras regiões do país (Imagem: Daniele Cavalcante/Canaltech/Stellarium)

Se você gosta de filmar time lapses ou fotografas estrelas com longa exposição, esta será uma ótima oportunidade de criar efeitos incríveis, já que a taxa de meteoros promete ser alta. Os astrônomos têm observado que a Geminídeas anda aumentando a quantidade de meteoros a cada ano, então preparem suas câmeras e tripés para criar boas fotografias e vídeos neste domingo à noite, ou na madrugada do dia 14. Aliás, aproveite para capturar também imagens do eclipse solar, que ocorre na segunda-feira.

Ah, é importante procurar lugares longe da poluição luminosa — sempre respeitando as orientações de isolamento social para evitar a disseminação da COVID-19, claro. As luzes da cidade no horizonte podem atrapalhar muito a visualização dos meteoros. Evite também horizontes bloqueados por prédios, e boa observação!

Fonte: Time and Date, NASA

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