Gases do universo estão 10 vezes mais quentes do que eram há 10 bilhões de anos

Por Danielle Cassita | 12 de Novembro de 2020 às 08h40
Reprodução/Jacub Gomez/Pixabay

Um novo estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Tóquio e Ohio State University, analisou o histórico térmico do universo a partir de gases e concluiu que a temperatura média deles sofreu um aumento mais de dez vezes nos últimos 10 bilhões de anos. Hoje, essa temperatura alcança 2 milhões de Kelvin. Para os pesquisadores, o processo que cria galáxias também contribui para esse aquecimento.

Em linhas gerais, eles utilizaram um método que permitiu estimar a temperatura dos gases mais afastados da Terra — portanto, mais no passado. Depois, esses dados foram comparados aos dos gases mais próximos do nosso planeta, que também estão mais próximos do momento presente. Assim, eles confirmaram que o universo está se aquecendo ao longo do tempo devido ao colapso gravitacional que vem ocorrendo na estrutura cósmica, e é bastante possível que esse aquecimento continue.

Os cientistas utilizaram dados coletados pelo observatório Planck e pelo estudo do Sloan Digital Sky Survey para entender a variação da temperatura do universo ao longo do tempo. Depois, os dados foram combinados e eles elaboraram as distâncias dos gases aquecidos por perto e mais longe com as medidas do desvio para o vermelho, uma referência usada pelos astrofísicos para estimar a idade cósmica a partir da qual objetos distantes são observados.

Com análises da luz, os cientistas puderam "voltar no tempo" para realizar o estudo (Imagem: Reprodução/Universo Observado)

Esse nome vem do tamanho dos comprimentos das ondas de luz: quanto mais longe um objeto está no universo, maior é o comprimento de onda de luz. Assim, a luz que vemos dos objetos distantes do nosso planeta é mais antiga do que a luz daqueles que estão mais próximos, porque a luz dos objetos distantes precisou percorrer uma distância maior até nos alcançar. Então, junto de um método para estimar a temperatura da luz, os pesquisadores mediram a temperatura média dos gases do início do universo — ou seja, os gases à volta de objetos distantes.

Depois, compararam a média dessa temperatura com aquela dos gases mais próximos da Terra — portanto, do presente. Eles descobriram que os gases do universo atual alcançam a temperatura de quase 2 milhões de Kelvin à volta dos objetos mais próximos da Terra, o que representa quase 10 vezes a temperatura dos gases envolvendo objetos que estão mais longe que, por isso, são mais antigos. Yi-Kuan Chiang, principal autor do estudo e pesquisador na Ohio State University, explica que essa nova medida confirma diretamente o trabalho de Jim Peebles, cientista que estabeleceu a teoria da formação das estruturas das grandes escalas do universo.

Essas estruturas se referem aos padrões globais de galáxias e aglomerados de galáxias em escalas além das individuais, que se forma com o colapso gravitacional da matéria escura e gás: conforme o universo evolui, a gravidade puxa a matéria escura e o gás no espaço, juntos, para as galáxias e aglomerados de galáxias, conforme explica Chiang. "O puxão é tão violento que cada vez mais e mais gás se choca e se aquece". Assim, as descobertas do estudo mostraram aos cientistas como cronometrar o progresso da formação da estrutura cósmica com verificações da temperatura no universo.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Astrophysical Journal.

Fonte: Ohio State News, Futurism

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