Fungo presente em Chernobyl pode proteger astronautas contra a radiação espacial

Por Danielle Cassita | 03 de Agosto de 2020 às 16h44
Getty Images

Um grupo de pesquisadores da Escola de Ciências e Matemática da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, liderados por Graham Shunk, aluno da universidade, identificou que o fungo do gênero Cladosporium sphaerospermum - que vive nas paredes do reator nuclear de Chernobyl, na Ucrânia - tem potencial para ser um bom aliado para proteger os astronautas contra a radiação espacial. As descobertas da equipe foram publicadas no arquivo de pesquisas bioRxiv, e ainda passarão pelo processo de revisão por pares antes de serem aceitas por um periódico científico.

Para o estudo, eles enviaram amostras do fungo à Estação Espacial Internacional (ISS) em dezembro de 2018 com o auxílio da empresa Space Tango. Lá, os astronautas colocaram essas amostras em placas de Petri e, assim, observaram os níveis de radiação por 110 segundos durante 30 dias. Com isso, eles notaram uma queda de 2,4% em média nos níveis de radiação. A equipe suspeita que isso pode ter ocorrido devido ao processo de radiossíntese, no qual os fungos transformam a radiação em energia química.

Do lado esquerdo, estão os fungos cultivados na ISS (Imagem: Space Tango, Inc.)

Shunk e sua equipe veem potencial nestes resultados. Se os fungos formassem uma cobertura de 21 cm de espessura nos trajes dos astronautas, eles poderiam reduzir grandes níveis de radiação - algo essencial para futuras missões em Marte, que tem altíssimos níveis de radiação em comparação com a Terra. E não é de hoje que a radiação do Planeta Vermelho traz preocupações aos cientistas: um estudo apoiado pela NASA concluiu que, ao chegarem lá, os astronautas estão expostos a uma radiação cósmica que pode trazer riscos ao organismo e às funções cerebrais.

Este fungo pode, ainda, conferir diversas vantagens na realização de missões. Como estes microrganismos podem crescer e se reproduzir no espaço, os fungos são ainda mais vantajosos do que os escudos utilizados atualmente, que são feitos de plástico ou inox e, portanto, pesados e vulneráveis. Marta Cortesão, microbióloga no Centro Aeroespacial Alemão (DLR), aponta que os esporos de fungos com certeza estarão nas viagens espaciais. "Eles foram esquecidos pelos últimos 20 ou 30 anos, mas é hora de voltarmos para eles", comenta.

Fonte: Business Insider, Mars Daily, Science Mag

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