Foto do Hubble mostra que cometa interestelar 2I/Borisov se dividiu em dois

Foto do Hubble mostra que cometa interestelar 2I/Borisov se dividiu em dois

Por Daniele Cavalcante | 03 de Abril de 2020 às 19h00
NASA

O núcleo cometa interestelar 2I/Borisov, o segundo visitante interestelar descoberto passando pelo Sistema Solar, parece ter se dividido em duas partes. Fotos do objeto capturadas pelo Telescópio Espacial Hubble nos dias 28 e 30 de março mostram que o núcleo alongado parece agora ter dois componentes.

Essas duas partes que agora compõem o núcleo são igualmente brilhantes, embora pareçam ter tamanhos distintos. E, baseado no que sabemos sobre os cometas nativos do Sistema Solar, podemos prever o que está acontecendo com o Borisov, mesmo sem conseguir saber exatamente o tamanho das partes.

De acordo com o astrônomo David Jewitt, que liderou as novas observações, a parte secundária de um núcleo dividido em dois é bem menor do que a parte principal, e contém uma fração bem pequena da massa total. Essa parte menor é bastante gelada, sendo que esse gelo, agora exposto, borbulha e sublima rapidamente, produzindo bastante poeira.

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As imagens do cometa interestelar Borisov capturadas pelo Hubble sugerem que uma parte se separou do núcleo entre 23 e 28 de março de 2020. A foto do meio foi tirada com um filtro diferente das demais, o que explica a aparência distinta (Imagem: NASA/ESA/Hubble/STScI/Jewitt)

Nas fotos do Hubble, essa poeira está presente. Portanto, é improvável que Borisov esteja se separando de maneira significativa, de acordo com Jewitt. Ele estimou que o cometa interestelar pode ter perdido apenas de 0,1% a 1% de sua massa total, e comparou que isso seria o equivalente a um carro que acabou de perder um retrovisor lateral.

Entretanto, essa é apenas uma estimativa baseada em poucas observações do Hubble - os pesquisadores ainda não sabem ao certo o que aconteceu de verdade. Para complicar ainda mais esse trabalho, as medidas de quarentena e isolamento adotadas em todo o mundo devido à pandemia de COVID-19 fizeram com que alguns dos grandes telescópios que temos aqui na Terra ficassem indisponíveis, sem mão de obra para operá-los.

De qualquer forma, o Hubble, que segue fornecendo dados normalmente, pode captar novas imagens para mostrar aos pesquisadores a velocidade com que o fragmento secundário está se afastando do núcleo principal e por quanto tempo ele será observável, antes de se dissolver em vapor e poeira.

Fonte: Space.com

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