Existe água no cometa interestelar 2I/Borisov, que passeia pelo Sistema Solar

Por Daniele Cavalcante | 31 de Outubro de 2019 às 23h10

"Há água - isso é legal, é ótimo". Essas palavras do astrônomo Olivier Hainaut se referem ao o 2l/Borisov, o cometa interestelar que está passando pelo Sistema Solar. Desde sua descoberta, os astrônomos já realizaram alguns estudos sobre ele, e agora uma nova pesquisa confirmou que o corpo celeste contém água.

Essa é a primeira vez que cientistas descobrem no Sistema Solar sinais de água que viajou de outro lugar do espaço. Hainaut, astrônomo do European Southern Observatory, na Alemanha, disse que a descoberta não é surpreendente, já que a maioria dos cometas conhecidos contêm muita água. Mas confirmar que o mesmo vale para cometas interestelares é um passo importante para entender como a água pode viajar pelo universo pegando "carona" nesse tipo de objeto.

A equipe que fez a descoberta é liderada por Adam McKay, astrônomo do Goddard Space Flight Center, da NASA. McKay e seus colegas usaram um telescópio de 3,5 metros no Apache Point Observatory, que fica no Novo México, para observar a luz do Sol refletindo no visitante interestelar. Em 11 de outubro, eles viram uma assinatura de oxigênio nos espectros de luz, o que seria resultado da quebra da água em hidrogênio e oxigênio.

Imagem do 2l/Borisov capturada pelo telescópio Hubble (Foto: NASA/ESA/D. Jewitt (UCLA))

Além disso, os cientistas compararam a quantidade de água no cometa com a de cianeto, e descobriram que a proporção também é semelhante ao que temos nos cometas do Sistema Solar. Isso reforça a ideia de que o 2l/Borisov não é muito diferente da maioria dos cometas, apesar de vir de um sistema estelar diferente — e por isso é especial.

Enquanto o 2l/Borisov está na sua trajetória em direção ao Sol, seu núcleo gelado continuará pulverizando gás e poeira, e os astrônomos devem encontrar mais sinais de água e outras moléculas saindo do corpo celeste nas próximas semanas.

Ainda existe muito o que descobrir sobre o visitante interestelar, além de sua composição. Entre outras dúvidas, os astrônomos querem saber se há mais corpos de outros sistemas estelares nos visitando, e por que não os vimos até agora. Cientistas de todo o mundo ainda têm um bom tempo para observar o 2l/Borisov, pois ele deverá ficar nas redondezas por mais ou menos um ano, até partir de uma vez por todas do Sistema Solar.

Fonte: Nature

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