Astroscale lançará satélite inovador para remover lixo espacial

Por Daniele Cavalcante | 15 de Outubro de 2019 às 09h53
Astroscale

A Astroscale Holdings, uma empresa global que trabalha na remoção de detritos orbitais privados, está agora se preparando para lançar o seu novo satélite, chamado ELSA-d (sigla em ingês para End-of-Life Services by Astroscale-demonstration). O equipamento está em fase de montagem, integração e teste (fase AIT).

Seita Iizuka, gerente de projetos da empresa, disse que ele e seus colegas estão “empolgados por dar o próximo passo na construção de nossa missão inovadora". Ele explica que o ELSA-d é “incrivelmente complexo”, e demonstrará “tecnologias de operações de encontro e proximidade que nunca foram testadas no espaço”. O satélite será a primeira missão comercial de remoção de detritos orbitais do mundo a operar em órbita baixa da Terra (LEO).

Ele consiste em duas naves espaciais — um Servicer, com cerca de 180 kg, e um Cliente, com cerca de 20 kg —, e demonstrará atividades de captura dinamicamente complexas necessárias para remover objetos inutilizados da órbita. A função do Servicer será liberar e capturar repetidamente o Cliente, usando para isso um ímã. E também realizará uma série de demonstrações tecnológicas como busca, identificação, encontro, acoplagem e eventual des-órbita.

Assim, o ELSA-d demonstrará a primeira captura semi-autônoma de um Cliente não-responsivo e a primeira identificação de um Cliente que está fora do campo de visão dos sensores de navegação do seu Servicer.

Removendo o lixo espacial

O aumento iminente do número de satélites na LEO significa que a ameaça de uma potencial colisão ou até mesmo desintegração nessa região aumentará. Essa probabilidade fica cada vez maior por causa de detritos espaciais que colocam em risco os satélites atuais e futuros, e ameaça a confiança da sociedade em dados do espaço. O ELSA será um serviço fundamental na remoção segura de satélites não-operacionais da órbita e na manutenção da viabilidade do LEO.

"Houve um reconhecimento global da crescente necessidade de uma solução para o problema de detritos orbitais nos últimos anos", disse Nobu Okada, fundador e CEO da empresa. "O ELSA-d é uma etapa importante para colocar à prova a tecnologia necessária para mitigar a ameaça de detritos espaciais, mas é apenas um aspecto do que a Astroscale está fazendo para resolver esse problema”. Okada afirma que, além de desenvolver essa nova tecnologia inovadora, a Astroscale está “trabalhando na política” e em “business case” que seriam necessários para "manter um ambiente orbital sustentável e facilitar o acesso da humanidade aos dados espaciais nas próximas gerações".

O ELSA-d está programado para ser lançado em 2020 em uma missão Soyuz, no Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

Fonte: Space Daily

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