Foguete da Astra voa "de lado" e não alcança a órbita; veja o vídeo

Foguete da Astra voa "de lado" e não alcança a órbita; veja o vídeo

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 30 de Agosto de 2021 às 10h20
Kemp/Twitter

No último sábado (28), a startup Astra realizou sua terceira tentativa de lançar um foguete à órbita terrestre com o foguete Launch Vehicle 0006, membro da série Rocket 3.3, que levava uma carga útil de testes para o Programa de Testes do Departamento de Defesa Espacial dos Estados Unidos. Assim que lançado, o foguete apresentou uma anomalia que resultou no encerramento do voo, sem chegar ao espaço. 

O foguete de dois estágios foi lançado no espaçoporto da ilha de Kodiak no Alasca, às 19h35 no horário de Brasília. Entretanto, algo pareceu não ir bem logo no momento do lançamento: ao invés de subir verticalmente, o foguete tombou e começou a se mover na horizontal; logo depois, o veículo recuperou a posição e começou a subida. Após cerca de dois minutos e meio, o foguete continuou a trajetória de ascensão até o momento da ignição do primeiro estágio, mas a câmera do veículo pareceu mostrar parte do propulsor se soltando nesta etapa, que é que causa o maior estresse mecânico.

Segundo análises preliminares, um dos cinco motores do primeiro estágio falhou apenas 1 segundo após o lançamento, por motivos que ainda não estão claros. Conforme o foguete foi queimando combustível, ficou leve o suficiente para ser sustentado pelos outros motores; entretanto, aos 2 minutos e 28 segundos do voo, um comando foi emitido para encerrar o empuxo gerado pelos motores, porque o veículo estava fora da trajetória para a qual foi licenciado. O foguete alcançou a altitude máxima de aproximadamente 50 km, e depois caiu em um local no oceano longe de ilha de Kodiak, sem oferecer riscos à população local. 

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Chris Kemp, co-fundador e diretor executivo da Astra, afirmou que a empresa está investigando o ocorrido. “Coletamos uma quantidade tremenda de dados do voo e temos o Launch Vehicle 7 em uma etapa de desenvolvimento em que poderemos incorporar tudo que aprendemos, antes de levá-lo a Kodiak e lançar novamente”, disse ele. “Embora não tenhamos alcançado nosso objetivo primário hoje, nossa equipe vai trabalhar duro para descobrir o que aconteceu aqui", comentou Carolina Grossman, diretora de gerenciamento de produtos na Astra.  

Esse lançamento foi a terceira tentativa da empresa em menos de um ano: em setembro de 2020, o foguete Rocket 3.1 apresentou uma falha no sistema de direcionamento, que fez com que o veículo saísse da trajetória planejada e, assim, seus motores foram desativados pouco depois de deixar a base. Já em dezembro, o foguete Rocket 3.2 quase alcançou a órbita, mas ficou sem combustível e os motores do estágio superior foram desligados prematuramente.

A missão deste fim de semana foi o primeiro de dois lançamentos realizados através de um contrato com a Força Espacial dos Estados Unidos. Ao contrário dos voos anteriores, neste havia uma carga útil a bordo, planejada não para ser implantada em órbita, mas sim para a coleta de medidas do ambiente de lançamento do foguete. Assim, a carga útil seria mantida presa ao primeiro estágio mesmo se o veículo tivesse alcançado a órbita.

Fonte: Space.com, SpaceNews

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