Fenômeno STEVE não é formado da mesma maneira que as auroras; entenda

Fenômeno STEVE não é formado da mesma maneira que as auroras; entenda

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 15 de Dezembro de 2021 às 15h06
NASA/Krista Trinder

Os fenômenos conhecidos como STEVE, que consistem em emissões roxas e verdes na atmosfera, podem ter origem na magnetosfera terrestre, a cerca de 30.000 quilômetros acima da superfície. Um novo estudo deduz isso após analisar imagens do mesmo evento tiradas em diferentes lugares, por cientistas cidadãos.

Embora sejam às vezes formados por duas faixas — verde e roxo —, ambas se espalham ao longo das mesmas linhas de campo magnético, mas em altitudes diferentes. Para os autores da nova pesquisa, não há mecanismo conhecido na ionosfera que possa explicar este fenômeno.

O que são os STEVE?

A cerca do STEVE e o detalhe com o raio de luz, que sugere que as formações verdes do fenômeno não sejam auroras (Imagem: Reprodução/J. SEMETER ET AL/AGU ADVANCES 2020)

STEVE é a abreviação de Strong Thermal Emission Velocity Enhancement — ou "aumento de velocidade de forte emissão térmica", em tradução livre —, e se manifesta na forma de um brilho no céu, com “faixas” roxas acompanhadas de tiras verticais esverdeadas, parecidas com cercas.

Descobertos por observadores amadores de auroras canadenses, as faixas de luz roxa e verde começaram a ser compartilhadas com os cientistas só a partir de 2016. Logo se percebeu que STEVEs não se tratam de um tipo estranho de aurora, porque o STEVE aparece em latitudes mais baixas e apresenta cores diferentes.

No entanto, ainda não se sabe exatamente como ou porque essas emissões se formam. Os cientistas cidadãos — pessoas comuns que contribuem com cientistas profissionais fornecendo dados e imagens, por exemplo — estão ajudando os pesquisadores a identificar diferentes tipos de STEVE.

As luzes roxa e verde nem sempre aparecem juntas, então os autores do novo estudo buscaram saber se as duas cores eram geradas pelo mesmo evento ou fenômenos, mas não havia uma maneira simples de fazer isso. Em 17 de julho de 2018, entretanto, dois cientistas cidadãos localizados a 400 quilômetros de distância tiraram imagens do mesmo evento STEVE.

Origem no campo magnético

A análise de fotos de cientistas cidadãos de um STEVE de 2018 mostra que as emissões de luz roxa e verde ocorrem em altitudes diferentes, mas nas ma=esmas linhas de campo (Imagem: Reprodução/Neil Zeller/Chu et al)

Essas fotos foram tiradas simultaneamente de dois ângulos diferentes, por isso os autores do estudo puderam obter a localização exata de cada ponto nas imagens, por triangulação. Foi assim que eles perceberam que tanto as emissões roxas quanto as verdes estão localizadas ao longo das mesmas linhas de campo magnético.

Apesar desse alinhamento, as duas cores estão em altitudes diferentes. “Nossa análise indica que as emissões de STEVE roxa e verde são impulsionadas pela mesma região estreita, então deve ser a magnetosfera”, diz Xiangning Chu, pesquisador do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade de Colorado Boulder.

De acordo com o cientista, isso apoia um estudo anterior da mesma equipe, “que forneceu evidências de que a região motriz de STEVE está localizada em um limite acentuado na magnetosfera que é marcada por ondas fortes e aceleração de partículas”. Embora o acoplamento seja normalmente considerado apenas em altas latitudes os resultados da pesquisa indicam um forte acoplamento também pode ocorrer em latitudes mais baixas.

Chu apresentará a análise da equipe no American Geophysical Union Fall Meeting 2021.

Fonte: AGU, LASP

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