Exoplaneta onde chove ferro pode ser ainda mais quente do que se pensava

Exoplaneta onde chove ferro pode ser ainda mais quente do que se pensava

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Outubro de 2021 às 14h27
ESO

O estudo de exoplanetas, aqueles mundos que orbitam outras estrelas além do Sol, é fundamental para compreender parte da evolução planetária, bem como a sua diversidade. Descoberto em 2016, o WASP-76b é um planeta tão quente que chove ferro em seu lado noturno, mas um novo estudo conduzido pela Cornell University indica que ele pode ser bem mais quente do que se pensava.

Em uma nova análise do exoplaneta WASP-76b, os pesquisadores detectaram cálcio ionizado em sua atmosfera, o que só seria possível se a temperatura diurna por lá fosse mais alta dos que os 2.246 °C apontados em pesquisas anteriores. O planeta extrassolar está localizado a cerca de 640 anos-luz da Terra, em direção a constelação de Peixeis e está travado pelas forças de maré de sua estrela, ou seja, em metade dele existe um dia eterno, enquanto, na outra, uma noite sem fim.

Concepção artística do exoplaneta WASP-76b (Imagem: Reprodução/NASA)

O WASP-76b está tão próximo de sua estrela hospedeira, um pouco mais quente que o Sol, que sua órbita dura apenas 1,8 dia terrestre. Mesmo a esta distância da Terra, os pesquisadores conseguiram estimar algumas propriedades deste mundo a partir da assinatura espectral dele, como o cálcio ionizado em sua atmosfera. O exoplaneta é um pouco maior que Júpiter; portanto, é classificado como um “Júpiter quente”.

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A astrofísica Emily Deibert, principal autora do estudo, explicou que a assinatura deste elemento pode indicar que o exoplaneta tem ventos muito fortes em sua alta atmosfera ou uma temperatura bem maior do que estimada anteriormente. Para a pesquisa, Deibert e sua equipe utilizaram os dados do Observatório Gemini, no Havaí, para observar a conhecida zona de temperatura moderada do planeta, onde o dia e noite fazem fronteira.

Exemplos do espectro de alguns elementos (Imagem: Reprodução/NASA)

A partir da espectroscopia de trânsito, os astrônomos podem analisar luz da estrela hospedeira que atravessa a atmosfera do exoplaneta e vem em direção à Terra. A qualidade na decomposição dessa luz permitiu que os pesquisadores determinassem uma variedade de informações sobre o WASP-76b, incluindo o cálcio ionizado. O astrônomo Ray Jayawardhana, co-autor do estudo, ressaltou a capacidade que os telescópios terrestres têm em informar propriedades físicas de um mundo ou até mesmo os padrões de possíveis nuvens.

A pesquisa faz parte de um projeto que há anos analisa cerca de 30 exoplanetas, a Exoplanets with Gemini Spectroscopy (ExoGemS). Os especialistas esperam obter ao final deste trabalho uma concepção mais completa da diversidade de ambientes em mundos alienígenas. Este estudo também implica nas missões que buscam encontrar vida nesses planetas exóticos, desde os mais quentes e maiores que Júpiter aos rochosos menores que a Terra.

A pesquisa foi publicada na Astrophysical Journal Letters.

Fonte: ScienceAlert

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