O que se sabe até agora na busca de planetas rochosos potencialmente habitáveis?

Por Daniele Cavalcante | 12 de Setembro de 2019 às 07h00

Até 2010, os astrônomos haviam encontrado cerca de 100 exoplanetas (aqueles que orbitam outras estrelas além do nosso Sol). Um número modesto em comparação ao que vivia a seguir: a partir de janeiro do mesmo ano, uma enxurrada de novos planetas fora do Sistema Solar foram encontrados, graças ao lançamento do telescópio espacial Kepler, oficialmente aposentado no ano passado. No total e até o momento, já ultrapassamos a marca dos 4.000 mundos descobertos. Mas quantos deles poderiam abrigar a vida como a conhecemos?

Bem, descobrir quais deles poderiam sustentar a vida é uma ciência complexa. Nossa atual tecnologia não é capaz de simplesmente apontar telescópios para procurar por formas de vida em outros mundos, então é preciso muito trabalho para criar modelos dos planetas descobertos, usando uma imensidão de dados para tal. Nesses modelos, os cientistas buscam determinar as composições da superfície e da atmosfera desses lugares, principalmente se há chances de haver água líquida, um dos maiores indícios de que a vida pode ter prosperado.

Qual foi o nosso progresso até o momento? Bem, existe uma série de condições necessárias para que um exoplaneta seja capaz de desenvolver vida, em teoria. Com base nesses critérios, podemos eliminar uma grande quantidade de mundos se estivermos procurando por lugares habitáveis. Claro, diminuir radicalmente a quantidade pode desanimar um pouco e nos deixar com poucas possibilidades, mas isso ajuda e muito a saber para onde olhar, o que economiza bastante tempo e trabalho.

Abaixo você encontra uma lista que resume o que os pesquisadores conseguiram determinar até agora na busca por vida em exoplanetas potencialmente habitáveis.

Número de planetas confirmados

O sistema TRAPPIST conta com sete planetas. Entre um a três deles são potencialmente semelhantes à Terra.

Nossa tecnologia atual detecta os planetas através de uma abordagem que observa a luz de suas estrelas. Se houver algum um objeto grande em sua órbita, em algum momento ele diminuirá a luz de sua estrela quando passar na frente a ela (o que se chama de trânsito). Esse movimento faz com que a luz pareça cintilar em intervalos regulares, a partir de nossa perspectiva, e é assim que os astrônomos encontram novos planetas.

Os observadores acreditam que, no total, já foram vistas piscadelas que potencialmente podem revelar mais de 8.000 exoplanetas, mas para confirmar que cada um realmente se trata de um mundo em órbita, há algum trabalho a ser feito. Até o momento, foi confirmada a existência de apenas metade desse número total.

Planetas rochosos

Um fator muito importante para determinar se um planeta pode desenvolver vida é a sua massa. Rochas muito menores do que a Terra não têm gravidade suficiente para manter uma atmosfera, e portanto a água líquida da superfície se perde. Por outro lado, qualquer mundo com o dobro da massa da Terra, ou mais, provavelmente acumulará poeira, gás e gelo demais.

Isso restringe a busca por exoplanetas que tenham massa semelhante à do nosso mundo, com 0,8 a 1,5 vez o raio da Terra ao pensar em tamanho. Estes podem ser rochosos e úmidos, e até o momento encontramos cerca de 1.000 deles. Ainda é um número interessante para trabalhar na busca pelo potencial de vida além da Terra.

Zona habitável

Telescópio Kepler, o "caçador de exoplanetas", deu início a uma nova era de descobertas planetárias.

Existe uma faixa de distância que um planeta deve ficar de sua estrela para que a vida possa se desenvolver. Se estiver muito perto, ficará quente demais. Muito longe, ficará congelado. E a ideia que temos, com base na vida que conhecemos daqui da Terra, é que a água precisa existir em estado líquido para que a vida prospere.

E alguns sistemas estelares contam com planetas que parecem orbitar a uma distância bastante favorável para um clima habitável, contendo água líquida e abrigando uma atmosfera densa o suficiente. Eles podem receber entre a metade e o dobro da radiação que chega à Terra e ainda assim abrigar vida, mas isso depende também da frequência com que a estrela do sistema "cospe" explosões de plasma.

Além de todos esses critérios, ainda precisamos descobrir se os exoplanetas que atendem a essas exigências são, de fato, parecidos com a Terra. Ou seja, se eles têm as condições atmosféricas necessárias. O mais próximo que encontramos de um mundo semelhante ao nosso, até agora, foi o Proxima Centauri b, a aproximadamente 4 anos-luz de distância. É bastante perto, em proporções cósmicas, mas ainda não temos sondas e telescópios capazes de reunir as informações necessárias a essa distância para dizer, com certeza, que ele é habitável.

Parece que ainda levará algum tempo para conseguirmos provar a existência de alguma forma de vida em exoplanetas. Mas isso não é, de forma alguma, desanimador. A cada nova descoberta, os astrônomos aprimoram seus métodos de estudo e seus modelos planetários, que simulam as condições desses mundos distantes com base em conhecimento científico, e estudos recentes indicam que há chances de que alguns exoplanetas tenham maior variedade de formas de vida do que a Terra. A busca continua!

Fonte: Popular Science 

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