Estudo sugere que "terremotos" de Marte são evidência de água subterrânea

Por Patrícia Gnipper | 28 de Junho de 2019 às 14h14

A sonda InSight, da NASA, está no momento em Marte medindo todo e qualquer abalo na superfície do planeta para registrar os chamados "marsquakes" (ou "martemotos"), análogos aos terremotos que temos aqui na Terra. Em março, a sonda detectou um abalo mínimo por lá e, em abril, foi detectado um tremor maior — este que pode ser o primeiro martemoto de verdade observado pela sonda.

Aqui na Terra, tremores do tipo podem acontecer causados pela injeção de águas residuais no subsolo, o que aumenta a pressão e leva ao deslizamento de falhas tectônicas. E, de acordo com um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters, o mesmo poderia explicar os martemotos marcianos.

Michael Manga, cientista planetário da Universidade da Califórnia, propõe que reservatórios comprimidos de água subterrânea podem existir em Marte, com a compressão acontecendo por conta das temperaturas geladas do Planeta Vermelho, que congelam as camadas superiores de tais reservatórios. Ao ser congelada, a água se expande.

Mas provavelmente apenas essa compressão não é suficiente para fazer o chão tremer, literalmente. De acordo com o estudo, simulações de computador identificaram dois gatilhos em potencial: os "puxões" de maré da lua Fobos (a maior e mais próxima na órbita de Marte), e as mudanças na pressão barométrica que são causadas pelo aquecimento e resfriamento da fina atmosfera marciana.

Animação mostra a InSight posicionando seu sismógrafo no solo marciano (Imagem: NASA)

A partir de agora, a InSight poderá fazer observações específicas para ver se esta teoria se aplica à realidade. Em caso positivo, futuros exploradores marcianos poderiam usar os martemotos justamente para encontrar reservatórios subterrâneos de água, acessando esse recurso precioso no planeta que, à primeira vista, parece ser completamente árido.

E o melhor: não seria necessário nenhum tipo de bombeamento para tirar a água de lá. A água pressurizada subiria borbulhando à superfície por conta dos próprios processos geológicos.

Fonte: GeoSpace

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