Este asteroide próximo da Terra pode ser um pedaço da Lua que foi "expulso"

Este asteroide próximo da Terra pode ser um pedaço da Lua que foi "expulso"

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Novembro de 2021 às 16h20
Addy Graham/University of Arizona

Em 2016, o telescópio PanSTARRS identificou o asteroide Kamo'oalewa. Trata-se de uma rocha espacial de aproximadamente 50 metros de diâmetro e que tem órbita próxima da Terra, podendo chegar a até 14 milhões de quilômetros de distância do nosso planeta. Agora, um novo estudo, conduzido por Ben Sharkey, graduado em ciências planetárias pela Universidade do Arizona, sugere que o asteroide talvez seja um pedaço da Lua arrancado por um impacto antigo. Se isso for confirmado, este será então o primeiro objeto próximo da Terra com origem no nosso satélite natural.

Devido às características de sua órbita, o Kamo'oalewa só pode ser observado da Terra durante algumas semanas do mês de abril. Essa é uma característica que o coloca no grupo de “quase satélites”, objetos que orbitam o Sol e se mantêm próximos da Terra. Apesar de já conhecermos vários deles, os cientistas têm dificuldades para estudá-los detalhadamente por serem pequenos e escuros demais.

Em abril, o asteroide fica a 14,4 milhões de quilômetros da Terra e pode ser observado por telescópios poderosos (Imagem: Reprodução/Universidade da Califórnia)

Assim, ao usar o telescópio Large Binocular Telescope para observá-lo sempre no mês de abril, durante alguns anos, a equipe descobriu que o espectro (o padrão de luz refletida pelo asteroide) corresponde àquele das rochas lunares obtidas durante as missões Apollo, o que sugere que ele tenha vindo da Lua. “Analisei todos os espectros de cada asteroide próximo da Terra aos quais tínhamos acesso e nada se encaixava”, comentou Sharkey, autor principal do estudo.

Como não se sabe de outros asteroides com origens lunares, os pesquisadores ainda não têm certeza sobre o que teria atingido a superfície da Lua para liberar o asteroide, e menos ainda o que o levou para a órbita atual. Após analisar a órbita da rocha, a equipe descobriu outros três asteroides com padrões orbitais parecidos, que podem ser “vizinhos” do Kamo'oalewa. Portanto, todos eles podem ter sido liberados para o espaço durante o mesmo impacto.

Claro, mais estudos ainda são necessários para ajudar a esclarecer a origem dessas rochas, mas felizmente os pesquisadores ainda têm várias oportunidades pela frente para analisar melhor o Kamo'oalewa. “É muito pouco provável que um asteroide mude espontaneamente para uma órbita como a do Kamo'oalewa's”, observou Renu Malhotra, coautor do estudo que liderou a análise orbital no estudo. Para ele, o objeto entrou nesta órbita há aproximadamente 500 anos e deverá continuar nela por mais 300.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications Earth & Environment.

Fonte: UArizona

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