Estaria a matéria escura ligada à existência de vida inteligente fora da Terra?

Por Patrícia Gnipper | 12 de Abril de 2018 às 12h22

Nesta semana, pesquisadores espanhóis publicaram um estudo mostrando que o "efeito gorila" pode justificar o motivo pelo qual a humanidade ainda não descobriu nenhum indício de vida extraterrestre. Para os autores, esses sinais podem estar à vista, mas não conseguimos detectá-los porque simplesmente estamos procurando por indícios relacionados a como a vida se formou aqui na Terra, "cegos" por um conceito preestabelecido.

Mas o que a matéria escura tem a ver com isso? Bom, para começar, esse tipo de matéria está presente em praticamente todo o universo (com exceção desta galáxia que, misteriosamente, não tem matéria escura), mas pouco se sabe de concreto a seu respeito. Há também a energia escura, que também sabemos muito pouco sobre.

Portanto, uma vez que pouco se conhece a respeito dessas formas de matéria e energia, não se pode descartar uma relação entre elas e a existência de civilizações alienígenas.

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Classes de civilizações da Escala de Kardashev

Para classificar os tipos de civilizações possíveis, o astrofísico russo Nikolai Kardashev propôs um método em 1964. Ele dividiu as civilizações em três classes com base nos níveis de energia e tecnologia disponíveis, mas, para Gabriel de la Torre, coautor do estudo espanhol, "sabemos que as classificações existentes são simplistas demais, e geralmente nos baseamos somente no aspecto da energia".

Ele segue afirmando que "o fato de usarmos sinais de rádio [para tentar descobrir indícios de civilizações tecnologicamente avançadas fora da Terra] não necessariamente significa que outras civilizações também as usam, ou que seu uso de recursos energéticos é o mesmo que o nosso".

Dessa maneira, os pesquisadores propõem que também sejam considerados fatores como biologia, longevidade, características psicossociais, avanços tecnológicos e a distribuição pelo espaço na hora de definir classes de possíveis civilizações.

A classificação de Kardashev foi revisada por Zoltan Galantai anos depois, e, seguindo essa ideia, a civilização humana faz parte do Tipo 0 de civilização, sendo que podemos alcançar o Tipo I dentro de cem ou duzentos anos. O Tipo 0 indica civilizações que são capazes de aproveitar o potencial energético de seu planeta, mas não em sua totalidade. Então, o Tipo I engloba espécies que são capazes de aproveitar a energia de seu planeta em todo seu potencial, sendo capaz, até mesmo, de usar a energia gerada por vulcões, terremotos, tempestades, furacões e outros fenômenos da natureza, sendo capaz, ainda, de controlar a temperatura e clima de seu planeta

Já o Tipo II é capaz de fazer tudo isso e também aproveitar toda a energia de sua estrela, não somente contando com a luz de seu sol na superfície do planeta. Essas espécies também teriam capacidade de aproveitar a energia potencial de estrelas vizinhas, bem como dos planetas que as orbitam.

Por fim, o Tipo III caracteriza uma civilização capaz de aproveitar toda a energia potencial de uma galáxia inteira, podendo mover sistemas de suas órbitas, por exemplo, criar e destruir estrelas, usar objetos espaciais como blocos de construção, aproveitar a energia de supernovas, manipular a energia de buracos negros, entre outras coisas que, para nós do Tipo 0, parecem roteiro de ficção científica.

Mas há cientistas que já propuseram a inclusão de novas classes, do Tipo IV, Tipo V e até um Tipo VI nessa jogada. Nikolai Kardashev, entretanto, acredita que essas espécies seriam tão absurdamente avançadas que nós não seríamos capazes de vislumbrar suas características. Ainda assim, aqui vão as descrições dessas novas classes, que definiriam as civilizações extraterrestres extremamente avançadas:

  • Tipo IV: civilização capaz de aproveitar toda a energia potencial de um universo e, quem sabe, ser capaz de alterar o espaço-tempo.
  • Tipo V: a espécie que se beneficia da energia de múltiplos universos
  • Tipo VI: civilização que viveria fora do espaço-tempo, podendo criar e destruir universos em um piscar de olhos. Esta classificação, inclusive, engloba um conceito próximo à divindade.

Tudo isso parece uma "viagem" e tanto, não? Afinal, essas civilizações vislumbradas pelo russo são puramente hipotéticas. Mas saiba que a Escala de Kardashev é utilizada como orientação teórica em pesquisas reais, incluindo os cientistas do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) – projeto que conta com radiotelescópios espalhados pelo mundo a fim de analisar sinais de rádio de baixa frequência que não são emitidos naturalmente, podendo ser interpretados como evidência de vida tecnologicamente desenvolvida fora da Terra.

Fonte: TechTimes  

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