Esta anã branca gira tão rápido que completa uma rotação em apenas 25 segundos

Esta anã branca gira tão rápido que completa uma rotação em apenas 25 segundos

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 23 de Novembro de 2021 às 18h10
Universidade de Warwick/Mark Garlick

A aproximadamente 2.015 anos-luz de distância da Terra, astrofísicos da Universidade de Warwick descobriram uma anã branca com a maior taxa de rotação já conhecida neste tipo de estrela — ela gira em torno de seu próprio eixo a cada 25 segundos. A estrela moribunda também faz parte de um sistema binário e, por isso, parte do material de sua companheira é puxado pela gravidade, produzindo um brilho que permite definir sua velocidade.

A anã branca em questão, chamada LAMOST J024048.51 + 195226.9 (ou simplesmente J0240 + 1952), passa a ser a estrela deste tipo com a maior velocidade de rotação já conhecida. Antes dela, este título pertencia à CTCV J2056-3014, a qual possui um taxa estimada em 29 segundos.

A gravidade da anã branca suga parte do material de sua vizinha, uma anã vermelha (Imagem: Reprodução/Universidade de Warwick/Mark Garlick)

A J0240 + 1952, segundo os astrofísicos envolvidos na descoberta, possui uma grande semelhança com outra anã branca, AE Aquarii, a qual gira ao redor de seu eixo a cada 33 segundos. As duas são classificadas como estrelas de hélice magnética, por conta da alta velocidade e do material da estrela companheira lançado ao espaço por seu campo magnético.

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Cada um delas possui uma estrela companheira de sequência principal, ou seja, que está fundindo hidrogênio em seu núcleo. A gravidade das anãs brancas puxa o plasma de suas vizinhas e o campo magnético das estrelas moribundas lança a maior parte deste material em alta velocidade.

A dinâmica envolvida na J0240 + 1952 é tão intensa que o plasma é lançado a velocidades de até 3.000 km/s. "A J0240 + 1952 terá completado várias rotações no curto espaço de tempo que as pessoas levam para ler sobre isso. É realmente incrível", acrescentou a astrofísica Ingrid Pelisoli, principal autora da pesquisa.

Anãs brancas acompanhadas

Anãs brancas surgem quando uma estrela como o Sol já consumiu todo seu combustível, isto é, fundiu todos os elementos possíveis em seu núcleo. O material mais externo, portanto, é ejetado para o espaço, e o núcleo que permanece se transforma em um objeto ultradenso, brilhante e com um calor residual.

Sua enorme densidade se dá pelo seu tamanho pequeno, com quase o diâmetro da Terra, e sua enorme massa — 1,4 vez a do Sol. As anãs brancas costumam ter uma companheira, e suas gravidades sugam o hidrogênio de suas vizinhas. De tempos em tempos, este elemento desencadeia uma fusão na atmosfera das anãs brancas, produzindo uma variação no brilho.

A anã branca, eventualmente, acumula tanta massa de sua companheira que se torna instável e explode em um fenômeno conhecido como supernova do tipo Ia. Essa estrela é chamada variável climática, como é o caso da J0240 + 1952. Em seu passado, ela sugava material suficiente de sua vizinha, uma anã vermelha, de modo a aumentar sua taxa de rotação.

Concepção artística de uma anã branca se "alimentando" do material de sua companheira (Imagem: Reprodução/Paula Zorzi)

No entanto, em dado momento, a anã branca desenvolveu um campo magnético. Os pesquisadores acreditam que o aumento da velocidade de rotação possa ter gerado um dínamo interno — mas, por enquanto, isto é apenas uma especulação. Enquanto isso, o giro da AE ​​Aquarii está reduzindo a um ritmo acelerado. Agora, a equipe avaliará os dois sistemas para ver se existe algum padrão de comportamento.

O astrofísico Tom Marsh, coautor do estudo, destacou que este é apenas o segundo sistema de hélice magnética conhecido, mas já ajuda muito a entender tais sistemas, "pois você desenvolve um modelo para a primeira e com a segunda você pode testá-lo para ver se esse modelo funciona”, explicou Marsh.

Fonte: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters; Via ScienceAlert

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