Esses observatórios antigos serão expostos em museus quando restaurados

Esses observatórios antigos serão expostos em museus quando restaurados

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 10 de Agosto de 2021 às 21h00
NASA

Em 1990 e 1995, respectivamente, a NASA lançou as missões Astro-1 e Astro-2, voltadas para estudos de astronomia e astrofísica. Agora, passadas três décadas, um grupo formado por voluntários da NASA e parceiros da indústria está trabalhando no projeto Astro Restoration Project para recuperar e restaurar o hardware dessas missões, deixando-os nas condições em que estavam antes do lançamento. Depois, as peças serão expostas em museus.

O observatório Astro-1 foi lançado durante a missão STS-35, em dezembro de 1990, a bordo do ônibus espacial Columbia. Ele tinha três telescópios para realizar observações em luz ultravioleta e, embora não fosse simples de operar, permitiu a realização de 200 observações distintas de 130 objetos astronômicos. Depois, em 1995, foi a vez do lançamento da Astro-2, que voou com o ônibus espacial Endeavour. Com o sucesso da missão anterior, a Astro-2 foi aprovada como uma missão de acompanhamento, que retornou os telescópios ao espaço e elevou o número de alvos astronômicos únicos para mais de 250.

Os telescópios da missão Astro-2, no ônibus espacial Endeavour (Imagem: Reprodução/NASA)

Para restabelecer o estado dos componentes das missões, o projeto conta com vários funcionários aposentados da NASA, que trabalharam na configuração da carga útil para o lançamento. “Em 1985, em preparação para a Astro-1, fui eu que fiz a instalação original dessas caixas”, comentou Mike Haddad, ex-engenheiro mecânico da NASA e membro do projeto. As caixas às quais ele se referiu eram equipamentos responsáveis por enviar o sinal do hardware da Astro ao ônibus espacial e, depois, para a Terra. “Fazer o mesmo procedimento depois de 35 anos? É como voltar para casa”, disse.

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Restaurar o que fez parte das missões Astro não é uma tarefa fácil, e a equipe do projeto sabia que os telescópios e seus componentes poderiam ter destinos diversos. “Geralmente, quando o hardware de voo retorna, a NASA o recondiciona, ou remove e canibaliza os componentes para destiná-los a outros usos”, explicou Mike Haddad, ex-engenheiro mecânico da NASA e um dos membros do projeto. Quando há alguma peça única, chamada de “missão peculiar”, grande parte do hardware antigo é enviada a colecionadores e museus ou vendida. Felizmente, o trabalho da equipe já resultou na restauração de 90% do hardware original: os três telescópios ultravioleta foram retornados para seus principais investigadores, em universidades e no Goddard Space Flight Center, da NASA.

A imagem superior mostra a estrutura de alumínio de sustentação antes de ser restaurada; na inferior, ela aparece após a restauração (Imagem: Reprodução/Astro Restoration Project)

Já um dos sistemas foi solicitado pelo museu Smithsoninan, como parte de uma coleção do National Air and Space Museum. Em paralelo, o quarto telescópio que voou com a Astro-1 teve o destino das chamadas "peças peculiares" e foi vendido online há alguns anos. Já uma moldura de alumínio que foi usada para dar sustentação aos telescópios e outras peças foi encontrada em um leilão de garagem. Para completar a sorte dos membros do projeto, eles conseguiram recuperar um conjunto de sensores ópticos, que serviram para fixar os telescópios no mesmo ponto de observação no espaço, dentro da caixa original de envio deles.

Os próximos passos

Embora já tenham conseguido recuperar grande parte do hardware, a equipe ainda tem algumas dificuldades com o estado das peças, que sofreram deterioração em função da exposição e do tempo. Além disso, há peças que se tornaram ninhos para ratos e vespas, e outras estavam incompletas. Como o pacote de sensores ópticos e o primeiro telescópio já foram finalizados, eles devem ser instalados na estrutura de alumínio durante o outono dos Estados Unidos.

Depois, no ano que vem, eles vão se juntar aos outros dois telescópios ultravioleta que faltavam para finalizar a configuração. Assim, os componentes das missões Astro ficarão em exibição no museu Space & Rocket Center até que as instalações do Smithsonian estejam prontas para realizar uma exibição própria. Scott Vangen, veterano da NASA, considera que a presença física destes objetos é uma das partes mais importantes do trabalho.

Mike Haddad inspecionando a estrutura de alumínio durante a restauração (Imagem: Reprodução/Astro Restoration Project)

Isso porque as cargas úteis de voo livre e aquelas que foram liberadas no espaço, como o telescópio Hubble, proporcionaram contribuições inestimáveis e reescreveram os livros de ciência, mas elas nunca mais vão voltar para a Terra. “Com o Astro, nossos netos e os netos deles vão poder tocar o hardware que foi para o espaço e que apareceu nos livros de história”, explicou Vangen.

Assim como as missões originais para a construção do laboratório Spacelab, restaurar os componentes Astro foi uma lição poderosa para a equipe. “Seja na ciência, engenharia, operações de voo ou com a experiência humana em geral, é sempre possível aprender com o que você já fez e aplicar no que ainda está por vir”. disse. “As próximas gerações vão poder visitar a exposição Astro — e ver, em primeira mão, o que os seres humanos são capazes de fazer”.

Fonte: NASA, Space.com

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