Energia escura pode ser produzida dentro de estrelas como o Sol, sugere estudo

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 04 de Junho de 2021 às 19h30
Salvatore Orlando/INAF

Quando os astrônomos descobriram que a expansão do universo estava acelerando, foi necessário encontrar a força motora por trás desse fenômeno. Mas não havia nada na física das partículas que explicasse a descoberta, então eles lhe deram um nome elusivo: energia escura. Até hoje não sabemos o que ela é, mas um novo estudo propõe que ela possa ser produzida em estrelas como o Sol.

Estima-se que a energia escura corresponda a 75% do universo — o que é muito. Ela não pode ser feita de nenhuma partícula conhecida, então os físicos procuram por algo que não esteja presente no Modelo Padrão de partículas. Isso nos traz vários problemas, como o fato de que qualquer nova física precisa não somente explicar a energia escura, como também funcionar com tudo o que já conhecemos. Em outras palavras, precisa ser algo exótico o suficiente para não interferir na matemática dos modelos atuais do universo.

Outra dificuldade é o fato de não fazermos ideia de como a matéria escura se parece, ou com qual tipo de experimento ela poderia interagir. É como procurar por alguém em uma multidão sem saber como essa pessoa é, o que está vestindo, qual a cor de sua pele e cabelo — sem saber nada. Mas alguns cientistas propõe que uma partícula desconhecida produzida no Sol — e em outras estrelas, claro — seja a produtora de energia escura.

Uma das propostas de cálculo da quantidade de matéria escura e de energia escura no universo (Imagem: Reprodução/Mohamed Abdullah/UC Riverside)

O problema é que qualquer coisa que se adicione no interior das estrelas causaria um desequilíbrio térmico, resultando até mesmo na redução no tempo de vida. É aí que entra o novo artigo. Ele sugere que a energia escura não se conecte diretamente a nenhuma partícula do Modelo Padrão, com exceção dos fótons, que são fabricados às toneladas bem no interior das estrelas, especialmente em uma região chamada taquoclina.

Se a energia escura é feita de alguma coisa que se conecta aos fótons, é possível que ela seja produzida na taquoclina. Isso significa que essas partículas hipotéticas são feitas no interior do Sol e viajam com os fótons por toda a parte, inclusive a Terra. Assim como os neutrinos, elas poderiam estar agora mesmo atravessando você, já que não interagem com nenhuma partícula presente em seu corpo. Parece uma solução fácil demais? Bem, talvez seja, mas o próximo passo será descobrir as propriedades de partículas que se comportem desse modo e, depois, encontrar meios de detectá-las.

Os cientistas sabem que não será uma tarefa fácil, assim como não é simples tentar comprovar a existência das partículas hipotéticas candidatas a compor a matéria escura, que corresponde a 26% de todo o universo e 80% de toda a matéria (neste último caso a energia escura não entra na conta). Há experimentos em andamento para detectar a matéria escura, como o projeto XENON, que é realizado há cerca de 15 anos e ganhará uma nova etapa, e o PandaX, que fica no laboratório subterrâneo mais profundo do mundo. Se algum deles encontrar algum vislumbre do universo escuro, a física certamente passará por uma nova revolução.

Fonte: Space.com

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