E se o espaço deixar as bactérias ainda mais agressivas para nós?

Por Danielle Cassita | 26 de Julho de 2020 às 11h00

Um estudo publicado há alguns anos já havia mostrado que a microgravidade é capaz de promover a formação de bactérias em biofilmes, e o assunto voltou à tona agora. Isso significa que elas formam comunidades, onde ficam organizadas e protegidas, o que causa alguns problemas: nos biofilmes, as bactérias ficam mais resistentes aos antibióticos e se tornam ainda mais infecciosas. 

Essa não foi a primeira vez que se observa algo do tipo no desenvolvimento de bactérias no espaço: um estudo realizado em 2018 pelo projeto MECCURI concluiu que existem algumas espécies que se desenvolvem bem melhor por lá. O professor Jonti Horner, astrônomo da Universidade do Sul de Queensland, observa que é preciso entender como as bactérias se desenvolvem no espaço para garantir que não iremos contaminar acidentalmente planetas como Marte, que receberá humanos provavelmente na década de 2030.

(Imagem: NASA/Pat Rawlings, SAIC)

Como há cada vez mais países planejando explorações espaciais presenciais, essa questão precisa de atenção; afinal, a cada vez que uma missão acontece, diversos microrganismos pegam carona na viagem. E, embora as missões contem com tecnologias cada vez mais avançadas, os cientistas ainda não compreendem bem como as condições espaciais podem afetar nosso corpo — e muito menos as bactérias. 

O lado bom para a ciência

As bactérias podem sofrer diversos efeitos no espaço: até agora, vimos que elas podem se tornar mais letais e mais resistentes a antibióticos quando comparadas com aquelas que nunca saíram da Terra. Além disso, as mutações também ocorrem mais rapidamente no espaço para elas se adaptarem melhor às condições de lá. É importante lembrar, entretanto, que esses efeitos são também oportunidades para estudos sobre os efeitos espaciais nelas, e como eles podem melhorar nossa vida na Terra. 

Por exemplo, considere a microgravidade. Nessas condições, os cristais das moléculas crescem com mais simetria e intensidade do que na Terra, algo importante para o desenvolvimento de drogas mais eficientes para doenças como o câncer e a doença de Parkinson. Esses cristais mais uniformes poderiam ser utilizados até mesmo para o desenvolvimento de soluções para agricultura. 

Além disso, a cristalização das moléculas ajuda os pesquisadores a determinarem as estruturas delas com precisão, já que existem várias moléculas que não podem ser cristalizadas na Terra, mas o fazem no espaço. Por fim, é certo que, conforme a humanidade explora o ambiente espacial com cada vez mais afinco, haverá cada vez mais dados e informações que serão essenciais para os pesquisadores entenderem melhor os riscos biológicos e benefícios das missões.

Fonte: Phys.org, The Conversation (1) e (2)

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