Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (31/07 a 06/08/2021)

Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (31/07 a 06/08/2021)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 07 de Agosto de 2021 às 11h00
P. Horalek /Inst. of Physics in Opava/NASA/D. Huang

O fim do mês de julho foi marcado por alguns aniversários. Além dos dez anos completos do lançamento da sonda Juno, já passou um ano desde a visita do cometa NEOWISE, que rendeu registros espetaculares pelo mundo — e pôde ser visto inclusive do Brasil! Caso você não tenha conseguido observá-lo, a seleção de imagens astronômicas desta semana conta com uma bela foto da passagem do cometa, que brilhou nos céus da República Tcheca acompanhado pelo pelas estrelas da constelação da Ursa Maior.

Já nas outras imagens, você confere um pouco do que a sonda New Horizons encontrou quando se aproximou de Plutão, em 2016, produzindo um registro que mostra os detalhes da superfície do planeta-anão — com o destaque para uma região especial, cuja forma lembra a de um coração. Por fim, aproveite também para conhecer uma das imagens mais conhecidas da astronomia, feita pelo telescópio Hubble e que mostra algumas das galáxias mais antigas que conhecemos.

Sábado (31) — O cometa NEOWISE 

(Imagem: Reprodução/Petr Horalek/Institute of Physics in Opava)

Pois é, já faz um ano que o cometa C/2020 F3 NEOWISE passou próximo da Terra! O objeto foi descoberto no fim de março de 2020 e, aos poucos, foi ficando cada vez mais brilhante, o que permitiu que ele fosse observado em diversos lugares do mundo, incluindo o Brasil. Em meio a essas localidades está a República Tcheca, que foi onde este fotógrafo fez o registro acima: o cometa cortou o céu, acompanhado pela constelação da Ursa Maior e de algumas galáxias de brilho discreto, que aparecem na direção da constelação da Cabeleira de Berenice.

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Este fotógrafo, assim com os demais que conseguiram registrar o cometa, produziram belas imagens de uma oportunidade bastante valiosa. O NEOWISE leva 6.756 anos para viajar em torno do Sol, o que significa que, na última vez que ele esteve por aqui, a escrita não tinha nem mesmo sido inventada na Mesopotâmia! Agora, o cometa já segue viagem em direção ao Sistema Solar externo, e voltará para uma nova visita em alguns milhares de anos. Como será que nosso planeta vai estar na próxima vez?

Domingo (1) — As cores de Plutão

(Imagem: Reprodução/NASA, Johns Hopkins Univ./APL, Southwest Research Inst.)

Plutão, o planeta-anão mais famoso do Sistema Solar, fica a quase 40 unidades astronômicas do Sol — em outras palavras, quando este mundo gelado está no mundo mais distante da nossa estrela ao longo da órbita elíptica, ele fica a mais de 7 bilhões de quilômetros da Terra. O planeta-anão foi visitado pela sonda New Horizons em 2015, que viajou por quase dez anos até alcançá-lo. Durante um sobrevoo realizado naquele ano, a sonda produziu várias imagens em alta resolução, que foram combinadas a dados de cores e resultaram na foto que você viu acima.

Como resultado, encontramos várias cores na superfície de Plutão que, além de toda a beleza visual, também têm importância científica porque deixam mais evidentes as diferentes composições químicas de várias regiões da superfície de Plutão — e você já deve ter percebido uma delas, que aparece à direita e tem forma parecida com a de um coração.

Trata-se da Região de Tombaugh, que recebeu esse nome em homenagem a Clyde Tombaugh, que descobriu Plutão na década de 1930. Esse "coração" tem um formato simpático, mas sua função vai bem além já que ele é responsável por impulsionar os padrões de circulação atmosférica em Plutão. Após visitar Plutão, a New Horizons seguiu viagem e já encontrou outros objetos misteriosos, como o asteroide Arrokoth, em 2019.

Segunda-feira (2) — Sonificação espacial

(Imagem: Reprodução/NASA; ESA; G. Illingworth, D. Magee, and P. Oesch, University of California, Santa Cruz; R. Bouwens, Leiden University; HUDF09 Team)

Em 2003, o telescópio espacial Hubble se manteve quase 12 dias observando uma pequena área do espaço onde, à primeira vista, não parecia haver nada. No ano seguinte, os astrônomos revelaram a surpresa contida nos dados obtidos pelo telescópio: as observações renderam a imagem que você vê acima com mais de 10.000 galáxias, incluindo algumas das mais antigas já registradas. A imagem, que ficou conhecida como Hubble Ultra Deep Field (HUDF), é uma das mais famosas da astronomia; você pode conferi-la de um jeito um pouco diferente clicando aqui.

A página linkada acima te leva a uma versão sonificada da imagem, em que notas musicais são tocadas conforme ao mover o cursor pela tela. O tom das notas muda de acordo com o redshift (desvio para o vermelho), fenômeno em que, quanto mais distante um objeto está no espaço, mais a luz se estende em direção ao extremo vermelho do espectro. Esse desvio é representado por sons mais graves, que indicam as galáxias mais distantes na imagem que têm, portanto, maior redishift — mesmo que a galáxia em questão aparente ser azul.

Terça-feira (3) — O brilho de um meteoro 

(Imagem: Reprodução/Dandan Huang)

Em agosto, a Terra passa por um grupo de detritos do cometa 109P/Swift-Tuttle — que, aliás, é considerado perigoso para nosso planeta — chamado "nuvem Perseida". Durante essa passagem, a gravidade acaba atraindo alguns pedacinhos dela, que queimam na atmosfera e nos proporcionam a chuva de meteoros Perseidas. Provavelmente foi um desses fragmentos que este fotógrafo registrou: a imagem acima foi feita em agosto de 2018, e mostra um dos meteoros do fenômeno brilhando no céu, com um rastro brilhante e esverdeado que se afasta da posição aparente da constelação de Perseu.

O rastro luminoso deixado pelo meteoro levou cerca de 30 minutos para ser dissipado — perceba que ele parece "terminar" perto de um ponto avermelhado no canto esquerdo da imagem, que é Marte. Este registro foi feito em Yichang, na China, mas a boa notícia é que podemos ver os meteoros Perseidas por aqui em breve: a chuva deste ano ocorrerá entre os dias 9 e 24 de agosto, e o pico do fenômeno deverá acontecer de 9 a 12 de agosto. Eles ficam mais visíveis no hemisfério norte, mas também podem ser observados aqui.

Quarta-feira (4) — Detalhes dos jatos de um buraco negro supermassivo 

(Imagem: Reprodução/Radboud University; CSIRO/ATNF/I.Feain et al., R.Morganti et al., N.Junkes et al.; ESO/WFI; MPIfR/ESO/APEX/A. Weiss et al.; NASA/CXC/CfA/R. Kraft et al.; TANAMI/C. Mueller et al.; EHT/M. Janssen et al.)

A galáxia Centaurus A fica entre 12 e 14 milhões de anos-luz de nós e guarda um buraco negro supermassivo em seu interior. Objetos deste tipo podem ter milhões de vezes a massa do Sol e, ao se alimentarem de matéria, ocorre uma emissão de jatos de plasma — quando esses jatos ocorrem no centro das galáxias, os astrônomos chamam a região de "centro galáctico ativo", como é o caso da Centaurus A. Assim, a imagem acima mostra um desses jatos graças às observações do telescópio Event Horizon, formado pela coordenação de radiotelescópios em diferentes lugares da Terra.

Apesar de parecer mostrar dois jatos, há somente um sendo emitido; portanto, o que vemos são os dois lados deste único jato. A emissão registrada tem propriedades e geometria bem parecidas com aquela sdo M87*, o buraco negro da imagen feita pelo EHT em 2019. Além disso, ele é parecido com os jatos liberados por buracos negros menos massivos, e seu fluxo de partículas parece ser confinado por uma pressão forte — provavelmente relacionada a um campo magnético.

Quinta-feira (5) — As crateras Tycho e Clavius

(Imagem: Reprodução/Eduardo Schaberger Poupeau)

Esse belo registro da Lua nos mostra vários detalhes do nosso satélite natural. Como a foto foi feita "invertida", com o sul no lugar do norte, é possível observar a paisagem lunar e suas diferentes crateras em um ângulo diferente. Uma delas é a cratera Tycho, que tem nome inspirado no do astrônomo holandês Tycho Brahe. Ela tem cerca de 100 milhões de anos e diâmetro de 85 quilômetros, com um pico de 2 km de altura em seu centro, e foi criada por um impacto ocorrido no passado. Os detritos liberados pelo choque produzem um efeito interessante: é que, quando a Lua está quase na fase cheia, há um pequeno conjunto de raios luminosos e brilhantes, que se estendem pelo lado do nosso satélite natural que fica voltado para nós.

Aliás, quando os astronautas da Apollo 17 coletaram amostras lunares, parte do material obtido por eles provavelmente veio do impacto que formou a cratera. Já a cratera Clavius fica acima da de Tycho, e tem 225 km de diâmetro. Ela leva o nome de Cristóvão Clávio, matemático, astrônomo e jesuíta alemão, e é uma das crateras mais antigas nessa parte da Lua. Como a imagem foi feita com um telescópio, conseguimos perceber que suas paredes e interior já foram cobertos por outras crateras, originadas de impactos mais recentes. Foi por lá que as observações realizadas pelo avião Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy (SOFIA) indicaram a existência de água.

Sexta-feira (6) — O brilho da Coroa Austral

(Imagem: Reprodução/Vikas Chander)

Essa imagem nos mostra a constelação Corona Australis, a Coroa Austral, acompanhada de algumas nuvens de poeira que estão a menos de 500 anos-luz de nós e nebulosas brilhantes na parte superior da foto. Essas nuvens são capazes de bloquear a luz de estrelas mais distantes e causam um efeito interessante: há um brilho azulado nelas, que vem da luz de estrelas quentes refletida pela poeira. Além disso, essas formações também escurecem a visão de estrelas jovens que estão na região e que ainda estão se desenvolvendo.

Além da constelação, a imagem registrou também vários outros objetos. Um pouco acima do brilho azul, está a NGC 6729, uma nebulosa que envolve a estrela variável R Coronae Australis. À direita, há algumas formações avermelhadas cujas formas lembram arcos; elas são conhecidas como “objetos de Herbig Haro” e são associadas às estrelas recém-nascidas, bastante energéticas. Já o aglomerado globular NGC 6723, localizado no canto superior esquerdo, até parece fazer parte do grupo dos demais objetos, não é? Na verdade, ele é formado por estrelas que estão a mais de 30.000 anos-luz de distância, ou seja, bem longe das jovens estrelas e nuvens da Coroa Austral.

Fonte: APOD

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