Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (22/08 a 28/08/2020)

Por Daniele Cavalcante | 29 de Agosto de 2020 às 11h00

As imagens astronômicas da NASA nesta semana está especialmente interessante para os fãs de nebulosas, mas não deixa de agradar os que gostam de informações sobre galáxias e planetas. Dessa vez, foi a vez da Nebulosa da Hélice, a Grande Nebulosa de Órion, e o grupo de nebulosas que ficam perto da constelação do Cisne, incluindo o misterioso manto escuro no centro da Via Láctea.

Também há um cenário marciano para olhar com óculos 3D, dando uma experiência de imersão para observar algumas rochas do Planeta Vermelho e o antigo rover Sojourner, da missão Pathfinder, da NASA. Por fim, a Lua, o satélite natural que não cansamos de admirar, também é aqui representada através de uma composição que revela o famoso "Brilho da Vinci". Confira para conhecer um pouco mais sobre essas e outras curiosidades que a NASA compartilhou durante a última semana.

Sábado (22/08) - Marte em 3D

Imagem: IMP Team/JPL/NASA

Esta imagem foi publicada pela NASA para popularizar a missão Mars Pathfinder, lançada ao Planeta Vermelho em 1997. Trata-se de uma imagem que ganha efeitos tridimensionais quando visualizada através de um óculos 3D (aqueles com lentes azul e vermelha de plástico transparente). Na foto, estão o módulo de pouso Pathfinder, o rover Sojourner, e algumas rochas.

Essa imagem estéreo foi registrada pela câmera Imager for Mars Pathfinder (IMP), que estava equipada com lentes óticas e uma série de filtros de cores para análise espectral. O IMP operou como o primeiro observatório astronômico em Marte e tinha como missão provar que era possível enviar naves melhores, mais rápidas e mais baratas ao Planeta Vermelho.

Domingo (23/08) - Nebulosa da Hélice

Imagem: C. R. O'Dell/ESA/NOAO/NASA

Esta é uma das imagens clássicas do Telescópio Espacial Hubble, embora seja composta por duas fotos — uma com a câmera a bordo do Hubble e outra com a Câmera Mosaic II do Observatório Interamericano Cerro Tololo, no Chile. É que a nebulosa é tão grande que foram necessários os dois telescópios para capturar uma visão completa.

Após a divulgação dessa imagem, a nebulosa retratada ficou muito famosa na internet por lembrar um olho, o que lhe garantiu o apelido de “Olho de Deus”. Na verdade, trata-se da nebulosa de Helix, ou Nebulosa da Hélice, localizada na constelação de Aquarius. Descoberta por Karl Ludwig Harding por volta de 1824, essa nebulosa é uma das mais próximas da Terra - está apenas a menos de 700 anos-luz de distância.

A Helix é uma nebulosa planetária, com o gás brilhante expelido por uma estrela moribunda, semelhante ao Sol. Novas evidências sugerem que ela consiste em dois discos gasosos quase perpendiculares entre si, entre outras caraterísticas ainda não muito bem compreendidas, ou seja, ela não tem realmente o formato de hélice. A imagem é de 16 de dezembro de 2004.

Segunda-feira (24/08) - Brilho da Vinci

Imagem: Miguel Claro (TWAN, Dark Sky Alqueva)

Você nunca verá a Lua dessa forma. É que esta é uma Lua crescente, e nossos olhos não conseguem enxergar a parte onde a sombra da Terra está projetada sobre nosso satélite natural nessa fase. Mas isso não significa que não há nenhuma luz refletida ali. Para obter essa imagem, o fotógrafo precisou de uma composição digital de 15 exposições curtas da parte brilhante e 14 exposições longas da parte escura escuro.

Em ocasiões especiais, até podemos ver ligeiramente a luz na parte escura da Lua crescente (ou minguante). Quem explicou o fenômeno pela primeira vez foi Leonardo Da Vinci, e por isso o efeito ficou conhecido como "Brilho da Vinci", embora hoje se chame "luz cinérea". Da Vinci afirmou que o brilho é, na verdade, o reflexo do Sol que é rebatido pelos oceanos da Terra, só depois chegando à Lua. Depois de 500 anos, os cientistas descobriram que são as nuvens do nosso planeta as responsáveis por refletir a maior parte desse reflexo.

Terça-feira (25/08) - Disco de acreção

Há quase um ano, a NASA apresentou um novo modelo que mostra como a gravidade de um buraco negro distorce nossa visão, deformando seus arredores. A imagem simula principalmente a aparência e a distorção do local onde a matéria se acumula em uma estrutura fina e quente, chamada disco de acúmulo, ou disco de acreção. Por causa da gravidade intensa do buraco negro, a luz emitida por diferentes regiões do disco é distorcida, e assim temos essa aparência deformada.

As partes mais brilhantes são formadas e se dissipam à medida que os campos magnéticos giram ao redor do buraco negro. Quando o gás se aproxima, sua velocidade de órbita aumenta, causando a diferença entre as faixas de luz mais claras e escuras. Em torno do buraco negro em si, que é a parte central, está uma imagem circular fina do disco orbital que marca a posição da esfera de fótons. Ali dentro, está o horizonte de eventos do buraco negro.

Conforme o vídeo segue, você dá uma volta sobre o buraco negro para olhar por Cima. Não há nenhum defeito no vídeo, as inversões de imagem do disco são intencionais para tentar nos mostrar como as coisas nesses objetos são estranhas. Você pode encontrar mais explicações sobre essa simulação do buraco negro aqui.

Quarta-feira (26/08) - Nebulosas perto do Cisne

Imagem: Alistair Symon

Aqui, temos um trecho da Via Láctea, próximo do lado norte da região conhecida como Great Rift, um grande véu de nuvens de poeira que fica nas proximidades da constelação Cygnus, o Cisne, formando uma faixa escura que divide a Via Láctea em seu ponto central. Essa imagem é resultado de uma composição de com 22 fotos e mais de 180 horas de dados de imagem, revelando 24 graus no céu.

A estrela alfa da constelação do Cisne é a brilhante e supergigante Deneb, e na imagem você pode localizá-la perto do centro superior. Existem muitas estrelas e nuvens de gás luminosas nessa constelação, mas também há uma nebulosa escura, chamada Saco de Carvão. Também estão retratados aqui as regiões de formação estelar NGC 7000 e IC 5070, com coloração vermelha, e a Nebulosa da América do Norte, que está à esquerda de Daneb junto com as Nebulosas do Pelicano. A Nebulosa do Véu, que é um remanescente de supernova, está na parte inferior esquerda.

Quinta-feira (27/08) - Conchas galácticas

Imagem: Martin Pugh

Já nessa paisagem, estão reunidas as galáxias de um sistema chamado Arp 227, ou seja, fazem parte do catálogo de 338 galáxias criado por Halton Arp. No caso da 227, trata-se de uma dupla formada pelas galáxias denominadas NGC 470 e NGC 474, localizadas a cerca de 100 milhões de anos-luz de distância, pertinho da constelação de Peixes. Elas também interagem com uma galáxia lenticular.

As duas galáxias são os objetos em destaque no centro, um pouco à direita da imagem, tendo uma delas — NGC 474 — o curioso formato de uma concha, que talvez tenha se formado por causa da interação gravitacional com sua companheira, que é uma espiral. Outra explicação para as conchas seria uma possível fusão com uma galáxia menor.

No lado esquerdo superior, está a galáxia NGC 467, que já não faz parte do catálogo de Arp, mas também parece ser rodeada por conchas de gás e poeira. Há outras galáxias no fundo e algumas estrelas bem visíveis, pois estão mais perto de nós, dentro da Via Láctea.

Sexta-feira (28/08) - Grande Nebulosa de Órion 

Imagem: NASA/ESA/F. Summers/G. Bacon/Z. Levay/J. DePasquale/L. Frattare/M. Robberto/M. Gennaro (STScI)/R. Hurt (Caltech/IPAC)

Embora essa seja uma imagem produzida digitalmente, não deixa de ser fascinante. Trata-se da nebulosa de Órion, que fica entre 1500 e 1800 anos-luz do Sistema Solar, e pode ser vista a olho nu, ao sul do Cinto de Órion (conhecido no Brasil como As Três Marias).

A imagem digital é na verdade um frame de um vídeo 3D que utiliza técnicas de renderização de filmes e imagens em vários comprimentos de onda capturadas por telescópios espaciais, para dar ao espectador uma experiência imersiva de três minutos voando através da Grande Nebulosa de Orion.

Assim, o que vemos aqui é uma transição de frames. No lado esquerdo, a imagem usa dados do Telescópio Espacial Hubble para mostrar como provavelmente a nebulosa é na luz visível se chegássemos bem perto dela. Já no lado esquerdo, temos a representação criada a partir para dados infravermelhos do Telescópio Espacial Spitzer.

Por fim, no centro da imagem, está a grande região conhecida como Vale de Orion, com um ano-luz de largura. Ele termina na cavidade central formada pelos ventos e pela radiação de estrelas massivas de um aglomerado chamado Trapézio.

Fonte: APOD

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