Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (13/02 a 19/02/2021)

Por Daniele Cavalcante | 20 de Fevereiro de 2021 às 11h00
Adam Block/Tim Puckett/Mike Cohea/Jens Bydal
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Se você acompanhou ao menos um pouquinho das notícias astronômicas da semana, já deve saber que todas as atenções se voltaram para o pouso do Perseverance em Marte, na quinta-feira (8). Tudo correu conforme o planejado pela NASA, e os componentes rover já está sendo verificado pelos engenheiros e cientistas da missão Mars 2020, bem como os sistemas do helicóptero Ingenuity. A missão é importante para a busca da vida antiga em Marte, por isso a NASA selecionou algumas imagens e vídeos sobre o Planeta Vermelho ao longo da semana no site do APOD.

Mas não veremos imagens apenas de Marte. Há também um asteroide bem conhecido, homenageado no Dia dos Namorados por um bom motivo: seu nome. Também há uma nebulosa tão bonita que se parece uma rosa, além de fotografias de fenômenos curiosos que acontecem aqui na Terra.

Sábado (13/02) — Eros

(Imagem: Reprodução/NEAR Project/JHU APL/NASA)

Essa é a imagem estereoscópica do asteroide 433 Eros, o primeiro a ser visitado por uma nave humana. A NEAR foi lançada em dezembro de 1998 para viajar a uma distância de quase 4 mil quilômetros e, finalmente, encontrar a pequena rocha espacial. O Eros tem apenas 40 x 14 x 14 km, com duas crateras de tamanho médio e uma densidade semelhante à crosta terrestre. A licença poética permitiu que a sonda entrasse na órbita do asteroide no dia 14 de fevereiro — Dia dos Namorados, bastante apropriado para o objeto que recebe o nome do deus grego do amor.

A imagem é formada por fotos obtidas pela NEAR, combinadas e processadas para produzir uma visão tridimensional quando observada através de óculos adequados (aqueles com uma lente vermelha e outra azul). Com o efeito 3D, é possível ver melhor as medidas do asteroide em profundidade, seus relevos e estruturas rochosas. A publicação desta imagem é para celebrar os vinte anos da chegada da nave NEAR à órbita do Eros.

Domingo (14/02) — Nebulosa Roseta

(Imagem: Reprodução/Adam Block/Tim Puckett)

A Nebulosa da Roseta, ou NGC 2237, é uma enorme nuvem de gás e poeira com cerca de 100 anos-luz, onde estrelas nascem. Ela fica na direção da constelação do Unicórnio, aproximadamente a 5 mil anos-luz de distância de nós. O nome que recebeu é auto-explicativo: o aglomerado se assemelha a uma rosa, convenientemente posicionada acima de uma longa haste de gás hidrogênio, que faz o papel de caule para a flor.

Estrelas azuis estão bem visíveis dentro da nebulosa. Trata-se de aglomerado aberto catalogado como NGC 2244 e formado por estrelas bem jovens, formadas há cerca de quatro milhões de anos. Para fins de comparação, nosso Sol tem aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Os ventos estelares do aglomerado azul estão abrindo um buraco no centro da nebulosa, e as ondas ultravioletas dessas estrelas jovens faz com que a Roseta brilhe ali na região central.

Segunda-feira (15/02) — 7 minutos de terror

O que são, afinal, os famosos "sete minutos de terror", que tanto se fala quando uma nave pousa em Marte? Depende do seu ponto de vista. Para um observador pouco interessado, é apenas o tempo que uma espaçonave leva para descer da órbita do Planeta Vermelho até tocar o solo em segurança. Mas para os controladores da missão e qualquer outro que esteja de algum modo envolvido, são momentos de muita apreensão.

Pousar em Marte é difícil e algumas naves já falharam, mas a NASA tem um bom histórico a seu favor: são 9 tentativas bem-sucedidas e apenas uma falha. Contudo, durante a descida, a comunicação com o equipamento é limitada e os sinais enviados pelos instrumentos demoram a chegar à Terra. A velocidade de 19.500 km/h no topo da atmosfera marciana é reduzida para cerca de 3 km/h no momento do pouso, sobre o local estipulado — no caso do Perseverance, que pousou em Marte nesta quinta-feira (18), o local foi a cratera Jezero.

Existem muitos outros pormenores que precisam ser calculados meticulosamente, para que tudo funcione direitinho. Alguns mecanismos têm apenas alguns segundos para serem acionados e qualquer atraso pode colocar tudo a perder. Por isso, todos os funcionários da NASA na sala de controle da missão ficam apreensivos enquanto recebem os sinais de telemetria indicando onde a nave está. Como se não bastasse as dificuldades, nada é em tempo real — o sinal demora vários minutos para chega na de controle. Haja nervos!

Terça-feira (16/02) — Preparando-se para o pouso

Há dos problemas na atmosfera de Marte. Por um lado, ela é densa demais para ser ignorada no momento de entrada. Se a nave simplesmente tentar atravessá-la, sem nenhum tipo de proteção, acabará derretida. Por outro lado, a atmosfera é fina demais para simplesmente descer através de um mecanismo simples — ela é cerca de 100 vezes mais fina que a da Terra. Isso faz com que haja pouca resistência no “ar” para a espaçonave usar para desacelerar aerodinamicamente.

Então, as agências espaciais precisam de um pouco de criatividade, e a NASA já optou por utilizar pára-quedas, retropropulsão através do motor e até mesmo um grande airbag. Quanto ao problema da reentrada, as agências utilizam sistemas de escudos térmicos para impedir que o fluxo de calor danifique o veículo espacial. A NASA equipou o Perseverance com um escudo térmico especialmente projetado feito com um material chamado Phenolic Impregnated Carbon Ablator, composto de fibra de carbono picada embutida em uma resina sintética.

Quarta-feira (17/02) — Arco de luz 

(Imagem: Reprodução/Mike Cohea)

Conhecidas por causar relatos sobre avistamentos de OVNIs, luzes verticais como esta se chamam Pilar de Luz. Trata-se de um fenómeno óptico formado pela reflexão da luz do Sol (ou mesmo da Lua) por cristais de gelo espalhados na atmosfera terrestre. Um pilar de luz costuma ter essa aparência de colunas, geralmente de baixo para cima, como nessa imagem. Mas há algo peculiar aqui: o arco logo acima do pilar é um pouco diferente e é raro quando ambos aparecem juntos.

Na verdade, o fenômeno que gera o arco acontece de modo semelhante, ou seja, através de cristais de gelo caindo pela atmosfera. A diferença não está no fenômeno em si, mas no formato dos cristais. Enquanto os pilares são formados por cristais hexagonais e achatados como pratos, os arcos aparecem quando os cristais são hexagonais e compridos como tubos. Quando cristais de ambos os formatos estão presentes, o resultado é essa paisagem impressionante e rara.

Quinta-feira (18/02) — Paisagem marciana

(Imagem: Reprodução/Jens Bydal)

Parece Marte, mas é nosso bom e velho planeta Terra, mais precisamente um lugar perto de Melchsee-Frutt, região central da Suíça. A luz do dia emprestou uma coloração avermelhada e peculiar contra o brilho azul ao redor do Sol, o que de acordo com a NASA é como veríamos o céu vespertino caso estivéssemos em Marte. No Planeta Vermelho, o Sol parece ter apenas a metade do brilho que recebemos aqui na Terra, e sua aparência é 2/3 o tamanho da estrela que nasce ho horizonte terrestre todos os dias.

O aspecto da paisagem também é diferente, mais ou menos como a imagem acima, por causa das partículas de poeira que permanecem suspensas na fina atmosfera de Marte. Essa poeira é rica em óxido de ferro, por isso o Planeta Vermelho é... vermelho! As partículas tendem a absorver a luz azul do Sol, refletindo a luz vermelha. Normalmente, a atmosfera mais densa da Terra espalha a luz azul, tornando nosso céu da cor que o conhecemos, mas durante o dia em que essa foto foi tirada, 6 de fevereiro, uma enorme nuvem de poeira levada pelo vento no Mediterrâneo atingiu os Alpes suíços, escurecendo o sol e tingindo a tarde com as cores do céu marciano.

Sexta-feira (19/02) — Primeira imagem do Perseverance

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL/Mars 2020)

A primeira foto do Perseverance após o pouso bem-sucedido em Marte é histórica, não apenas por se tratar de um novo rover no espaço, mas porque essa pode ser a missão que descobrirá, pela primeira vez, evidências reais de vida antiga no Planeta Vermelho, fossilizadas nos sedimentos naquilo que um dia foi um lago. Por isso, a primeira demonstração visual de que está tudo bem com o jipe espacial é tão importante.

O Perseverance conta com duas câmeras de orientação, e essa imagem foi capturada por uma delas, localizada na parte frontal. A segunda está no lado traseiro, enquanto outras câmeras mais robustas ficarão responsáveis pelas imagens de alta resolução. Aqui, a poeira ainda está agitada pelo pouso do rover, então mesmo as imagens da câmera de orientação terão imagens melhores à medida que as coisas ficam mais calmas no local de pouso.

Fonte: APOD

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