Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (03/06 a 09/07/2021)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 10 de Julho de 2021 às 11h00
NASA/A. Block, University of Arizona/R. Weisenfeld

Mais um sábado chegou, e você já pode conferir quais são as imagens astronômicas que a NASA selecionou nos últimos dias. Nesta semana, você encontrará registros de nebulosas tão coloridas e impressionantes quanto a de Órion, que tem um "berçário estelar" em seu interior. Confira também um pouco das luas de Saturno — mais especificamente, de seis das mais de 80 que orbitam o gigante gasoso.

Aliás, já que falamos de um dos planetas do Sistema Solar, vale mencionar que você também encontrará uma foto bem interessante de Marte. Trata-se de uma antiga imagem feita pela sonda Viking 2, da NASA, durante a década de 1970. Mesmo após tanto tempo, essa foto continua pregando uma peça no nosso cérebro, que identifica uma forma parecida com a de um rosto em meio a sombras de rochas na superfície do Planeta Vermelho.

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Confira estas e outras imagens abaixo:

Sábado (3) — Via Láctea 

(Imagem: Reprodução/Rolf Weisenfeld)

O brilho da Via Láctea no céu noturno já fascinou observadores das mais diversas épocas e gerações. Por exemplo, o astrônomo italiano Galileu Galilei voltou seu telescópio para a faixa luminosa que viu no céu, e descreveu a cena como “um aglomerado de inúmeras estrelas”. Ainda não sabemos a quantidade exata de estrelas que existem em nossa galáxia e, por enquanto, as estimativas apontam para aproximadamente 200 bilhões delas, mas este número pode chegar a 400 bilhões.

Deste total, uma quantidade mínima pode ser observada a olho nu: apenas 0,000003% das nossas estrelas vizinhas são visíveis! De qualquer forma, é certo que a fala de Galileu fica bastante clara para quem consegue admirar o céu noturno limpo e em algum local longe da poluição luminosa. Até mesmo a olho nu, é possível encontrar o “caminho” luminoso e pálido formado pela nossa galáxia, atravessado por nuvens escuras de poeira.

Domingo (4) — O “rosto” de Marte 

(Imagem: Reprodução/NASA, Viking 1 Orbiter)

Você já deve ter visto nuvens no céu com formatos curiosos, que lembravam algum animal ou objeto, e pode também ter ficado intrigado pelo “rosto” na imagem acima. Situações como essas são causadas pelo fenômeno chamado pareidolia, que é a capacidade do nosso cérebro de reconhecer padrões — foi ela que ajudou nossos ancestrais a diferenciar plantas e animais perigosos, ficando longe de predadores e conseguindo encontrar alimento.

Aliás, a pareidolia não ocorre somente com o que vemos na Terra, e prova disso é esta foto feita no Planeta Vermelho. A imagem foi feita pela velha sonda Viking, durante a década de 1970, mostrando uma formação geológica chamada “mesa”. Dependendo do ângulo de incidência da luz, as sombras formadas ficam parecidas com um nariz e uma boca. Além da baixa resolução, há também vários pontos pretos na foto, que são erros causados por dados que não foram transmitidos corretamente.

Segunda-feira (5) — A Nebulosa da Cabeça de Cavalo Azul

(Imagem: Reprodução/ Adam Block, Steward Observatory, University of Arizona)

Aqui, temos a Nebulosa da Cabeça de Cavalo Azul. Localizada na constelação de Scorpius, o Escorpião, ela é formada por uma poeira bem fina, que geralmente é escura, mas que mostra um brilho azulado ao refletir a luz visível emitida por estrelas próximas. Neste caso, a luminosidade vem de uma estrela no "olho" do cavalo da nebulosa, que faz parte do sistema Nu Scorpii, um dos mais brilhantes, em direção à constelação do Escorpião. Já no lado direito da imagem, está a IC 4601, outra nebulosa de reflexão.

Terça-feira (6) — Luas de Saturno 

(Imagem: Reprodução/Mohammad Ranjbaran/Amir Ehteshami)

Hoje, já conhecemos 82 luas de Saturno. Delas, seis aparecem nesta imagem composta, feita com 13 exposições do planeta e outras 13 das luas mais brilhantes em sua órbita. A primeira lua descoberta orbitando o gigante gasoso foi Titã, identificada em 1655 pelo astrônomo holandês Christiaan Huygens; aqui, ela aparece quase completando uma volta em torno do planeta. Titã tem diâmetro de 5.150 km, que a confere o título de maior do sistema — para comparação, essa lua é maior até que Mercúrio, cujo diâmetro é de 4.879,4 km! Já a lua Reia é a segunda maior, enquanto Jápeto é considerada a terceira maior e é também a origem do rastro no canto direito da foto.

Quarta-feira (7) — Nebulosa de Órion em detalhes

A cerca de 1.600 anos-luz de nós, na constelação de Órion, o Caçador, fica a Nebulosa de Órion. Essa nebulosa é bastante conhecida por seu brilho, que a torna de fácil observação mesmo a olho nu. Mas, caso você queira admirá-la de outro jeito, uma boa opção é a animação que você viu acima, que conta com um modelo digital criado com os dados do telescópio Spitzer aplicados a técnicas de renderização de vídeo.

Como resultado, temos os detalhes do berçário estelar no coração da nebulosa, com estrelas bebês e jovens, em diferentes etapas de formação. Depois, a câmera avança por essa nuvem molecular até chegar a uma cavidade, esculpida por ventos energéticos junto da radiação das grandes estrelas presentes no aglomerado do Trapézio, de altíssima temperatura.

Quinta-feira (8) — Afélio e periélio 

(Imagem: Reprodução/Richard Jaworski)

Como a Terra viaja em torno do Sol seguindo uma órbita elíptica, nosso planeta passa pelos pontos mais distantes e mais próximos da nossa estrela ocasionalmente. Um desses momentos aconteceu no início do mês: durante o início de julho, a Terra passou pelo ponto mais longe do Sol, e nossa estrela ficou com o menor tamanho aparente. Já no periélio, o momento de maior proximidade, o astro parece maior — e você vê as duas situações na imagem acima, composta por duas fotos feitas pelo mesmo telescópio e câmera.

Vale lembrar que as variações de distância entre a Terra e o Sol não são responsáveis pelas estações do ano, mas sim a inclinação do nosso planeta. Como a Terra está inclinada 23,4º em relação ao plano orbital, a luz solar incide de diferentes formas nos hemisférios. No momento, enquanto o hemisfério Norte passa pelo verão, recebemos menos calor direto, e isso será invertido em seis meses. Já na primavera e outono, os dois hemisférios recebem quantidades semelhantes de calor.

Sexta-feira (9) — Ventos na Galáxia do Cigarro

(Imagem: Reprodução/Team ARO, Alentejo Remote Observatory)

Também conhecida como Galáxia do Cigarro, a galáxia M2 é um ótimo lugar para encontrarmos alguns processos intensos acontecendo. Há um supervento emitido nas regiões centrais da galáxia, que é também onde uma grande quantidade de estrelas se formam a uma taxa impressionante — algumas delas chegam a uma taxa de formação 10 vezes mais rápida do que aquela da nossa própria galáxia! Essa fábrica de estrelas ainda deverá continuar funcionando a todo vapor por pelo menos mais 100 milhões de anos.

Esta é uma imagem composta, que mostra alguns detalhes interessantes do supervento. Perceba que, na direção do centro da imagem, existem alguns filamentos avermelhados. Parecidos com pequenos raios, eles são, na verdade, emissões luminosas no hidrogênio atômico, que mostram brilho vermelho. Com o tempo, parte do gás do supervento vai "escapar" de lá e seguirá com destino ao espaço intergaláctico.

Fonte: APOD

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