Dados da sonda Juno revelam gelo e minerais na lua joviana Ganimedes

Por Danielle Cassita | 21 de Janeiro de 2021 às 22h40
NASA/JPL-Caltech/SwRI/ASI/INAF/JIRAM

A lua Ganimedes, uma das principais ao redor de Júpiter, é o maior satélite natural presente no Sistema Solar e um dos mais misteriosos e intrigantes que conhecemos — mas, mesmo assim, grande parte do que sabemos sobre ela hoje veio das observações da missão Galileo, que esteve por lá de 1995 a 2003. Agora, em um novo estudo, pesquisadores anunciam observações feitas pela missão Juno, que segue estudando Júpiter desde 2016.

Ganimedes chama a atenção por ser a única lua com seu próprio campo magnético, e por ter grandes chances de conter um oceano de água líquida em sua subsuperfície. A lua foi estudada pelas missões Pioneer e Voyager, mas, neste estudo, a equipe trabalhou com os dados do instrumento Jovian Infrared Auroral Mapper (JIRAM), a bordo da Juno, e capaz de obter imagens e espectro das luas contanto que a altitude seja adequada. A missão, que por sinal poderá ser estendida para investigar as luas jovianas, realizou um sobrevoo por Ganimedes a 100 mil quilômetros de distância em dezembro de 2019, de modo que o JIRAM pôde produzir um mapa com resolução de até 23 quilômetros por pixel.

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A missão Galileo revelou a existência do campo magnético de Ganimedes (Imagem: Reprodução/NASA)

Na ocasião, a sonda pôde observar formações geológicas na superfície da lua por ângulos variados; depois, as informações de brilho dessas áreas foram comparadas a geometrias de observação e iluminação, de modo que os pesquisadores conseguiram modelar a superfície da lua. A equipe percebeu que os reflexos que dependem de comprimentos de onda podem ser afetados por crateras relativamente novas, o que pode ocorrer devido a um aumento no tamanho de partículas de gelo nessas regiões.

Quando o modelo foi comparado com as observações espectrais da água congelada presente em Ganimedes, os autores puderam mapear a distribuição de água na região polar norte da lua, criando estimativas que corresponderam ao que havia nos mapas feitos por observações de telescópios na Terra. Na prática, isso significa que puderam estender o mapa global de água congelada em Ganimedes para latitudes bem mais ao norte.

Além disso, observações feitas em outros espectros revelaram a presença de substâncias químicas sem relação com a água, que provavelmente continham sais de magnésio hidratado, amônia, dióxido de carbono e moléculas orgânicas. Os autores finalizam pontuando que, com as novas oportunidades de observações das regiões polares da lua em 2020 e 2021, observações contínuas do JIRAM poderão criar estratégias úteis para missões futuras — como a JUICE, que será lançada em 2022 para buscar água em Ganimedes, Calisto e Europa.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista JGR Planets.

Fonte: EOS

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