Composição química da Via Láctea não é como os astrônomos pensavam

Composição química da Via Láctea não é como os astrônomos pensavam

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 10 de Setembro de 2021 às 09h38
Adam Derewecki/Pixabay

Ao contrário do que os astrônomos imaginavam, a Via Láctea não é homogênea em composição de gases do meio interestelar, isto é, nos espaços entre as estrelas. Um novo estudo mostra que o nível de metalicidade pode variar bastante em nossa galáxia, com algumas regiões de composição semelhante ao ambiente solar, e outras com níveis bem inferiores de metalicidade.

Na astronomia, a metalicidade não se refere necessariamente a elementos metálicos, e sim a qualquer coisa que não seja hidrogênio e hélio. É que no início do universo, o espaço era dominado por esses dois elementos da tabela periódica, enquanto os demais se formaram apenas após algumas gerações de estrelas — já que são elas que fabricam todos os elementos a partir da fusão nuclear do hidrogênio.

Por isso, quando se fala em níveis de metalicidade em uma estrela, aglomerado estelar ou galáxia, estamos falando também da idade desses objetos — quanto menor o nível de metalicidade na composição do objeto, mais antigo ele deve ser. Do mesmo modo, se uma região tiver abundância elevada de elementos que não hidrogênio e hélio, significa que muitas estrelas jovens explodiram em supernovas, espalhando novos elementos por lá.

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Pois bem, a Via Láctea é uma galáxia antiga, mas ainda capaz de formar muitas estrelas jovens e azuis, em especial das classes O e B. Estrelas dessas categorias são muito quentes, massivas e brilhantes, e isso significa que elas são especialistas em fundir elementos além do hélio em seus núcleos e, em seguida, explodir em supernovas. Com isso, os elementos “metálicos” se espalham pela região e aparecem nas próximas gerações de estrelas.

(Imagem: Reprodução/Danny Horta-Darrington/NASA/JPL-Caltech/SDSS)

Como a nossa galáxia é repleta dessas estrelas, imaginava-se que o seu meio interestelar fosse homogêneo, com taxa de metalicidade semelhante à do Sol (conhecida como metalicidade solar). Mas não foi isso o que os autores do novo estudo encontraram. Eles analisaram 25 estrelas O e B, separadas entre si por algumas dezenas de anos-luz, e encontraram grandes variações na metalicidade em um fator de dez.

De acordo com o estudo, a média encontrada foi de 55% de metalicidade solar, com muitas regiões com cerca de 17% da metalicidade solar — o que é considerado um nível baixo. Mas por que isso ocorre? Os autores ainda não sabem ao certo, mas sugerem que o gás, ao cair no disco da Via Láctea em forma de nuvens, se move rapidamente. Em outras palavras, o movimento faz com que o material seja mal distribuído, o que resultaria na falta de homogeneidade.

Seja como for, a descoberta terá implicações nos modelos astronômicos usados em simulações da Via Láctea, e pode impactar até mesmo o estudo sobre a formação e evolução das galáxias. “A partir de agora, teremos que refinar as simulações aumentando a resolução, para podermos incluir essas variações na metalicidade em diferentes locais da Via Láctea”, disseram os autores.

O estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Sci-News

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