Astrônomos observam "ponte" repleta de estrelas gigantes azuis na Via Láctea

Astrônomos observam "ponte" repleta de estrelas gigantes azuis na Via Láctea

Por Wyllian Torres | Editado por Luciana Zaramela | 14 de Abril de 2021 às 20h00
NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)

Um grupo de astrônomos comparou as estrelas do tipo OB, catalogadas pelo Atacama Large Millimeter Array (ALMA), com os dados coletados pelo Telescópio Gaia para produzir um mapa mais detalhado dos braços espirais da Via Láctea. Ao observarem a região conhecida como “Esporão de Cepheus”, descobriram que esta é uma região repleta de estrelas do tipo gigante azuis, registrando tudo em artigo publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A região analisada pelos pesquisadores fica localizada entre o Braço de Órion — região na qual se encontra o Sistema Solar — e o Braço de Perseu. O Esporão de Cepheus, na verdade, forma uma ponte de estrelas gigantes azuis entre estes dois braços. Estrelas deste tipo possuem três vezes a massa do Sol, e a cor azul revela a altíssima temperatura delas.

Estrelas gigantes azuis são classificadas como sendo do tipo OB, pois a maior parte das ondas de luz emitidas por elas é no comprimento do azul. Além de serem mais raras e as mais quentes, também são as que possuem menor tempo de vida — quanto maior uma estrela, mais rapidamente elas queimam seu combustível. Por conta da enorme atividade de reações nucleares em seu núcleo, chegam a ser até seis vezes mais quentes do que o Sol. Ao fim de suas vidas, dão origem às grandes explosões chamadas de supernova — responsáveis por espalhar elementos por toda a galáxia, inclusive os fundamentais para a formação da vida, como o oxigênio.

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Estrutura da Via Láctea, incluindo a localização dos braços espirais, estre eles os braços de Perseu e de Órion (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/ESO/R. Hurt) 

Um dos autores do artigo, Michelangelo Pantaleoni González, pesquisador do Centro Espanhol de Astrobiologia (CAB), explica que as estrelas OB são raras. Em uma galáxia com cerca de 400 bilhões de estrelas, como é o caso da Via Láctea, apenas 200 mil seriam deste tipo. E acrescenta: “e como elas são responsáveis ​​pela criação de muitos elementos pesados, podem realmente ser vistas como as enriquecedoras químicas da galáxia; é por causa de estrelas como essas, mortas há muito tempo, que a geoquímica do nosso planeta era complexa o suficiente para a bioquímica surgir”.

Para elaborar o mapa, os pesquisadores se valeram da técnica chamada paralaxe estelar. Este método mede a distância entre a Terra e as estrelas, comparando suas posições através de diferentes pontos de vista enquanto nosso planeta segue seu percurso ao redor do Sol. Com isso, a equipe observou que havia estrelas para além da região do Esporão, em regiões que até então se pensava estarem vazias. Isto prova que a esta região era parte do disco galáctico, e não apenas uma concentração aleatória de estrelas.

Classificação espectral de Morgan-Keenan. O Sol é uma anã amarela, classificado tipo G (Imagem: Reprodução/Rursus)

Essa descoberta também pode fornecer pistas sobre o passado distante de nossa galáxia. "Eles podem ser sinais de colisões anteriores com outras galáxias", explica o paleontólogo Pantaleoni González, também co-autor do artigo. O grupo de pesquisadores pretende adicionar ao mapa informações de mais estrelas OB e com isso esperam visualizar melhor estas estruturas da Via Láctea.

O artigo foi integralmente publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society do mês passado, no dia 19 de março.

Fonte: Space.com

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