Como futuros telescópios vão ajudar na busca por vida inteligente fora da Terra?

Como futuros telescópios vão ajudar na busca por vida inteligente fora da Terra?

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 24 de Março de 2022 às 19h40
MasterTux/Pixabay

Futuros telescópios, capazes de realizar observações na luz infravermelha e em raios X, poderão ajudar na busca de tecnoassinaturas, que podem indicar a existência de civilizações inteligentes em outros planetas. É o que propôs um grupo de autores multidisciplinares da NASA, que produziu uma seção dedicada às tecnoassinaturas no relatório Decadal Survey on Astronomy and Astrophysics 2020 (ASTRO2020), documento que reúne desafios e recomendações para a próxima década na astronomia e astrofísica.

As tecnoassinaturas são formadas pelos efeitos deixados por tecnologias nos ambientes, como as luzes das grandes cidades, determinados compostos químicos na atmosfera e até mesmo satélites artificiais na órbita de um planetas. Assim, o grupo de autores apresentou uma iniciativa colaborativa e sintetizada, voltada para a busca das tecnoassinaturas e bioassinaturas em outros mundos.

Eles explicam que as tecnoassinaturas podem ser entendidas como manifestações observáveis de tecnologias extraterrestres, e têm grande relevância para um leque amplo de missões. Por isso, o grupo recomenda que a comunidade científica inclua a busca por tecnoassinaturas no design e implementação de projetos de observatórios futuros, como o projeto de telescópio LUVOIR (Large Ultraviolet Optical Infrared Surveyor).

Pôster da missão conceitual do telescópio LUVOIR, que seria capaz de realizar observações na luz visível, ultravioleta e infravermelha (Imagem: Reprodução/NASA/GSFC)

Trata-se de um telescópio conceitual proposto em duas versões, com diferentes tamanhos de espelho. Apesar de o ASTRO2020 focar no aspecto das bioassinturas do LUVOIR, o documento menciona as tecnoassinaturas algumas vezes — e os autores do artigo acreditam que o telescópio seria um bom aliado na busca por elas. “A poluição industrial representa uma classe de compostos atmosféricos na Terra que poderiam ser considerados, equivocadamente, como bioassinaturas, se observados no espectro de um exoplaneta”, escreveram.

Eles trazem o dióxido de nitrogênio (NO2) como exemplo: altos níveis deste composto na atmosfera de um planeta podem indicar atividades industriais, mas como também podem vir de origens naturais, qualquer eventual detecção precisa ser estudada cuidadosamente, para evitar falsos-positivos. Mas, independentemente de um sinal ser falso-positivo ou não, ele precisa, primeiro, ser detectado. Segundo os autores, estudos anteriores já apontaram que o LUVOIR poderia detectar NO2 na atmosfera de exoplanetas.

Outras formas de buscar tecnoassinaturas

O artigo também descreve que o LUVOIR poderia detectar tecnoassinaturas como lasers e sinalizadores ópticos. “Os sinalizadores podem oferecer uma forma econômica de comunicação direta entre sistemas exoplanetários, que pode ser codificada e transmitida por pulsos rápidos, de nanossegundos”, sugeriram.

Ao unir os sinalizadores ópticos com a detecção e caracterização de exoplanetas rochosos habitáveis, o LUVOIR pode ser considerado uma ferramenta ainda mais poderosa.

Representação do Telescópio Gigante Magalhães, que poderá ajudar na busca por tecnoassinaturas (Imagem: Reprodução/Giant Magellan Telescope – GMTO Corporation)

Já os telescópios extremamente grandes (ELT), como o futuro Telescópio Gigante Magalhães (GMT), também podem participar na busca pelas tecnoassinaturas.

“O GMT e TMT são projetos em andamento, em desenvolvimento há muitos anos”, colocam. “Essas instalações em solo podem conseguir caracterizar as atmosferas de exoplanetas rochosos descobertos por missões como a TESS e CHEOPS, nos comprimentos de onda visível e quase infravermelho”.

Por fim, as sondas de infravermelho distante (FIR) podem ser usadas para preencher lacunas nas capacidades observacionais. Estes dispositivos teriam que ser espaciais, e podem ter papel significativo na busca pelas tecnoassinaturas através do calor residual da chamada Esfera de Dyson, o nome dado a uma megaestrutura hipotética ao redor de estrelas, para capturar a energia delas.

Assim, embora as sondas talvez não consigam detectar o calor residual devido aos comprimentos de onda, elas podem ajudar a descartar outras fontes emissoras e, assim, direcionar melhor as buscas.

As sondas voltadas para a detecção de raios X podem não ser tão eficientes para a busca de tecnoassinaturas, mas os autores reconhecem que o assunto exige mais investigações. Segundo eles, os raios X não são “mensageiros” promissores para sinais artificiais, mas são intrigantes mesmo assim; afinal, eles podem indicar que civilizações avançadas estão utilizando-os de novas formas para criar e emitir sinais.

O artigo produzido pelo grupo foi publicado no repositório online arXiv.

Fonte: arXiv; Via: Universe Today

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