Cientistas estavam errados sobre presença de água em Júpiter há 25 anos; entenda

Por Daniele Cavalcante | 21 de Fevereiro de 2020 às 19h20
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Júpiter foi provavelmente o primeiro planeta do Sistema Solar a aparecer ao redor do Sol, formado a partir dos restos do material que criou a nossa estrela anfitriã. Por isso, esse gigante gasoso é considerado uma das principais chaves para desvendar os mistérios sobre a formação do Sistema Solar. Cientistas investigam o planeta há bastante tempo, mas um ponto crucial - a quantidade de água na atmosfera do planeta - estava errado há décadas.

Por 25 anos, os cientistas acreditaram que a água era muito escassa na atmosfera de Júpiter. Em 1995, a sonda Galileo da NASA sugeriu que o planeta poderia ser extremamente seco em comparação com o Sol (a comparação é baseada não em água líquida, mas na presença de seus componentes, como oxigênio e hidrogênio, presente no Sol). Mas novos resultados de medições feitas por outra sonda mostram o contrário.

Em um estudo publicado esta semana na revista Nature Astronomy, os cientistas revelam as medições mais precisas já realizadas da água na atmosfera de Júpiter. Os dados são da sonda Juno, também da NASA, que começou a estudar o planeta em 2016. De acordo com os resultados, a água compõe cerca de 0,25% das moléculas presentes na atmosfera de Júpiter. Isso é quase três vezes a quantidade de água na atmosfera do Sol.

Embora seja o oposto das medições feitas pela missão Galileo, os novos dados esclarecem um enigma na história de origem de Júpiter - se não houvesse toda essa água na atmosfera, as teorias sobre como o planeta se formou estariam em xeque. Por isso, desvendar o mistério de quanta água realmente existe na atmosfera do planeta é importante para entender as condições do Sistema Solar durante seus primeiros anos.

Imagem de Júpiter capturada pela sonda Juno em dezembro de 2017 (Foto: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Kevin M. Gill)

Hidrogênio e hélio são os elementos mais comuns em Júpiter, seguidos por oxigênio. Os cientistas acreditam que o oxigênio pode ter sido o gás primário do disco protoplanetário (um disco rotativo de gás e poeira que envolve uma estrela recém-formada). Como resultado, Júpiter deve ter pelo menos um pouco de água em sua atmosfera. A sonda Galileo sugeriu que a atmosfera jupiteriana teria 10 vezes menos água do que o esperado, o que acabou deixando os pesquisadores desnorteados.

Além disso, a quantidade de água na atmosfera de Júpiter também controla o clima. O gigante gasoso é famoso por suas tempestades e raios, o que não poderia ser compreendido sem a presença abundante de água. "Quando pensamos que já descobrimos as coisas, Júpiter nos lembra o quanto ainda precisamos aprender", disse Scott Bolton, principal investigador da missão Juno.

Usando os dados coletados pela sonda Juno durante os oito primeiros sobrevoos na órbita de Júpiter, a equipe inicialmente se concentrou na região equatorial porque a atmosfera ali parece mais bem misturada do que em outras regiões. O equipamento foi capaz de coletar dados de uma profundidade muito maior na atmosfera de Júpiter do que a sonda Galileo - 150 km. "Descobrimos que a água no equador é maior do que a sonda Galileo mediu", disse Cheng Li, cientista da missão Juno.

A órbita da sonda agora segue para o norte para trazer mais informações sobre como a água é espalhada na atmosfera, ou seja, se há muita variação de acordo com a latitude e região do planeta. Também será importante descobrir o que há sobre os polos, ricos em ciclones. O 24º sobrevoo científico de Juno por Júpiter ocorreu em 17 de fevereiro.

De acordo com Bolton, "todo sobrevoo científico é um evento de descoberta. Com Júpiter, sempre há algo novo”. O próximo sobrevoo será em 10 de abril de 2020.

Fonte: NASA

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