Chuva de meteoros Perseidas tem pico nesta madrugada; saiba como observar

Por Daniele Cavalcante | 11 de Agosto de 2020 às 19h15
Cory Poole

A chuva de meteoros Perseidas, uma das mais interessantes e aguardadas do ano, tem seu pico na madrugada desta terça (11) para quarta-feira (12), mas ainda ocorre na madrugada de quinta (13). Ela está entre as favoritas dos astrônomos e entusiastas da observação celeste porque costuma ter uma grande quantidade de “estrelas cadentes” riscando o céu noturno.

Longe de serem estrelas de fato, o que vemos em uma chuva de meteoros como esta são, na verdade, pequenos detritos deixados para trás por um cometa, que se queimam quando entram na atmosfera e aparecem no céu noturno como rastros luminosos. No caso da Perseidas, trata-se de pedacinhos do cometa 109P/Swift-Tuttle, considerado um objeto perigoso para a planeta Terra, por sinal.

Sobre a chuva de meteoros Perseidas

Perseidas em 2016 (Foto: NASA//Bill Ingalls)

Como é o caso de outras chuvas de meteoros sazonais, a Perseidas é gerada quando nosso planeta passa pela trilha de detritos deixados pelo cometa em sua jornada ao redor do Sol - no caso, oo 109P/Swift-Tuttle. Essa trilha se chama “nuvem Perseida”, e ela fica sempre ali, no mesmo lugar. Sempre que nosso planeta passa por ela, a gravidade atrai alguns desses detritos, que caem em nossa atmosfera e evaporam antes de atingirem a superfície.

A nuvem Perseida é formada por partículas ejetadas pelo cometa durante a sua passagem perto do Sol, e ele já fez esse caminho incontáveis vezes. A maior parte do material presente na nuvem hoje tem aproximadamente 1.000 anos. No entanto, existe um filamento mais recente de poeira neste rastro, formada durante a passagem do cometa em 1862.

Na noite de pico, a Perseidas chega a produzir até 100 meteoros por hora, caso observada em uma região onde o céu está livre de poluição luminosa e sem nuvens. E, mesmo que você esteja numa região não tão favorável para observação, ela provavelmente não vai decepcionar. Se for o seu dia de sorte, você poderá ver um meteoro longo e lento, conhecido como earthgrazers. Eles ocorrem quando um fragmento espacial atinge a atmosfera em um ângulo muito baixo e termina retornando ao espaço, deixando um rastro comprido e demorado. São raros, mas memoráveis.

Na Perseidas, os meteoros são velozes e brilhantes, e podem deixar rastros que duram alguns segundos. Também podem ocorrer a aparição de bólidos, meteoros muito brilhantes que geram clarões no céu.

O cometa 109P/Swift-Tuttle

Composição com cerca de 400 meteoros Perseidas fotografados ao longo de várias noites (Imagem: Petr Horálek)

O Swift-Tuttle foi descoberto por duas pessoas que observavam o céu, cada um por conta própria, em lugares diferentes: Lewis Swift em 16 de julho de 1862, em Marathon, Nova York, e Horace Parnell Tuttle, da Universidade Harvard em Cambridge, Massachusetts, em 19 de julho de 1862. Em 1992, o cometa voltou a se tornar visível com um par de binóculos e foi "redescoberto" pelo astrônomo japonês Tsuruhiko Kiuchi.

Seu núcleo sólido tem aproximadamente 27 km de extensão e ele completa uma volta em torno do Sol a cada 11 voltas de Júpiter ao redor da estrela. Os astrônomos estimam que em 2126, provavelmente se tornará um cometa visível a olho nu como o Hale-Bopp. Também está previsto que o cometa pode se aproximar muito da Terra por volta de 15 de setembro de 4479, com uma pequena probabilidade de impacto.

Como e quando observar a chuva de meteoros Perseidas

Embora o cometa seja potencialmente espetacular para algumas regiões, os habitantes do hemisfério sul podem não ter uma experiência tão impactante quanto o esperado. É que a constelação de Perseus fica mais alta no horizonte do céu do hemisfério norte, enquanto aqui, na região sul, o radiante estará bem mais próximo do horizonte. Por isso, provavelmente não veremos a mesma quantidade de meteoros que os moradores do hemisfério norte verão. Mas isso não significa que não vale a pena tentar observar o fenômeno - a Perseidas ainda é agitada o suficiente para que possamos ver alguma coisa riscar o céu.

Acima da linha do equador, pode ser possível ver entre 40 e 50 meteoros por hora, então as regiões do Norte e Nordeste do Brasil poderão ter algum privilégio nesse sentido. Nas regiões Sudeste e Centro Oeste, a quantidade visível será menor, sendo que os observadores do Sul precisarão contar com um pouco mais de sorte. Seja como for, o maior número de meteoros deve ser visto por volta das 5h.

Na imagem abaixo, simulamos como estará o céu na madrugada do dia 11 em São Paulo. A chuva de meteoros Perseidas aparece bem acima da linha do horizonte na direção norte.

Posição do radiante em São Paulo, às 04h:31 (Imagem: Stellarium/Canaltech)

Se você estiver mais ao norte do país, poderá começar a observar a chuva de meteoros da vez por volta da meia-noite. Na região Sul, o radiante não aparecerá no horizonte antes das 4h. Lembrando ser importante se afastar dos centros urbanos para tentar observar as "estrelas cadentes" com ainda mais visibilidade, já que a poluição luminosa atrapalha bastante.

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