Primeira chuva de meteoros artificial do mundo foi adiada para 2023

Por Daniele Cavalcante | 18 de Maio de 2020 às 12h52

No início do ano passado, uma empresa japonesa chamada Astro Live Experiences, ou simplesmente ALE, anunciou que produziria a primeira chuva de meteoros artificial da história. A ideia consistia no lançamento de uma pequena sonda que arremessaria os "meteoros" em direção à Terra em algum momento de 2020. Acontece que, infelizmente, o projeto não deu certo dessa vez.

Para testar a novidade, o pequenino satélite ALE-1 foi lançado em um foguete Epsilon-4 no dia 18 de janeiro de 2019, no Centro Espacial Uchinoura, província japonesa de Kagoshima. O ALE-1 carregou consigo para o espaço um punhado de esferas projetadas para queimar ao entrar em contato com a atmosfera terrestre, produzindo assim um espetáculo no céu. Então, em agosto, a empresa lançou um segundo satélite, o ALE-2 contendo mais 400 esferas.

A ideia é promover um novo tipo de entretenimento para ocasiões festivas, como os Jogos Olímpicos, por exemplo. Mas teremos que esperar um pouco mais para o grande show aéreo dos meteoros artificiais. De acordo com a empresa, o ALE-2 não conseguirá arremessar as esferas porque “uma das partes que deve lançar as partículas não está se movendo corretamente”. Assim, a ação de lançamento não pode ser iniciada no prazo.

Conceito do satélite ALE-2 arremessando a chuva de meteoros na atmosfera terrestre (Imagem: ALE)

De acordo com um comunicado da empresa, a nave teve esse problema por causa do vácuo do espaço, que faz com que as forças de atrito sejam mais altas do que aqui na Terra, fazendo com que os materiais se juntem mais facilmente. Como resultado, as peças robóticas não conseguem se mover corretamente. As análises da empresa indicam “que esse efeito específico no espaço é maior que o previsto” e a força do robô parece não ser o suficiente para superar o atrito no espaço.

A empresa agora desenvolverá o ALE-3, previsto para ser lançado apenas no final de 2022, considerando todas essas novas informações. Se tudo der certo, a ALE começará a vender a chuva de meteoros artificiais para os interessados a partir de 2023. A empresa garante que as esferas viajarão muito mais lentamente através da atmosfera da Terra do que os meteoros reais e, portanto, permanecerão visíveis por muito mais tempo - cerca de 3 a 10 segundos cada, garantindo assim uma experiência única para os expectadores.

Quanto à ALE-1, parece que não há nada de errado com ela. Mesmo assim, a empresa decidiu não realizar o lançamento da chuva de meteoros com apenas esta nave. De acordo com o comunicado oficial, eles pretendem fazer isso apenas no início de 2023, então podemos deduzir que a ALE quer os dois satélites liberando seus meteoros na mesma ocasião.

Fonte: Space.com

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